segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Confissões de uma (pseudo) corredora (2): iRun

Não dá pra deixar a morte do Steve Jobs passar em branco. Ele mudou nossas vidas, e mudou para melhor. A mídia não pára de falar sobre a influência que ele teve em nossa sociedade e sobre como ele mudou o mundo. Mas acho que pouca gente está parando para fazer uma pergunta mais pessoal: como o Steve Jobs mudou a sua vida? E acho que essa pergunta é tão importante quanto as anteriores. Por causa disso, decidi escrever um post sobre como ele mudou a minha vida.  
Antes, todavia, uma ressalva. Eu não vou fingir aqui que o sujeito é um santo ou deveria ser endeusado do jeito que está sendo. Na verdade, no meio de tantas manifestações do gênero, achei bastante refrescante esse artigo aqui, que nos lembra de algumas coisas pouco elogiáveis e nada admiráveis da personalidade de Jobs (veja um resumo em português aqui).

Feita a ressalva, acho que eu – assim como uma boa parte das pessoas no mundo -- pode dizer que Steve Jobs mudou um pouquinho minha vida. Eu pessoalmente acho que, se não fosse pelo Steve Jobs, hoje eu não estaria correndo. 
Comecei a correr mais ou menos na época em que ganhei meu primeiro iPod. O iPod shuffle. Eu saia, com ele pendurado no meu pescoço, ouvindo música durante a corrida. Raramente eu usava – ou uso – o Ipod quando não estou correndo. Não sinto muita necessidade de ficar ouvindo o tempo inteiro. Mas quando estou correndo, música te distrai. Bastante.


No início eu ouvia o que tinha na minha coleção de CDs: muita música brasileira. Marisa Monte, Cássia Eller, Zélia Duncan, etc. Daí eu comecei a notar que minha disposição pra correr aumentava com as músicas mais dançantes e diminuia com as músicas mais calmas. Fui ver se minha impressão tinha algum respaldo científico e pra minha surpresa, descobri que alguns cientistas tinham feito experiências com isso. A performance de pessoas que estava ouvindo música era superior à performance das pessoas que não estavam. Esse link explica as diversas razões e uma delas é, de fato, simplesmente distrair você o suficiente pra você não pensar no cansaço, dores musculares e quantos kilometros ainda faltam.

Além disso, as pesquisas mostravam que minha intuição estava certa: quando a música estava sincronizada com o ritmo de corrida, a performance era ainda melhor. Fiquei empolgada com a aplicação prática desta descoberta: se eu achasse a música certa pra minha corrida (com o mesmo ritmo da minha passada), viraria uma estrela das pistas. Foi isso que fez o recordista mundial dos 10,000 metros, um etíope. A música dele chama Scatman.

O problema é que eu não sabia como me beneficiar dessa informação. Eu não conheço música (em especial música de discoteca) e não compro CDs o suficiente para ter em estoque músicas das quais eu gosto. Mas o Steve Jobs já tinha pensado numa solução: a loja do iTunes vende playlists de corrida prontas. Ou seja, você podia comprar músicas de correr pra baixar no seu iPod. E cada uma custava um dólar. Ou seja, não era um preço exorbitante ou inacessível para um serviço que pra mim era extremamente valioso. Enfim, com dez dólares consegui encher meu iPod de músicas que tornaram minhas corridas muito mais empolgantes, sem eu ter que me familiarizar com o mundo da música. Com frequência, não fazia idéia do que ou quem estava tocando no meu iPod, mas funcionava. Acho que sem aquele iPod shuffle talvez esse projeto de começar a correr tivesse terminado algumas semanas depois de começar, como a vasta maioria dos projetos na minha vida…
Para os que estão curiosos pra saber qual a "minha" música, aqui vai (e como vcs podem perceber, as batidas são bem mais espaçadas do que as batidas do campeão olímpico):

Daí meu iPod shuffle morreu. Depois de uns dois anos de uso, a bateria acabou. E o Steve não gosta de fazer produtos que as pessoas possam substituir as baterias. Ele prefere que você jogue fora o produto antigo e compre um novo. Da Apple, claro. Recentemente li um livro que mostra como essa e outras políticas da Apple era tudo o que as empresas deveriam evitar, segundo o bom-senso empresarial. Mas o Steve Jobs, teimoso e assertivo como ele é, insistiu em fazer o que levou outras empresas à falência antes. E por alguma razão que ninguém entende, deu certo. Para aqueles que acham o sujeito um gênio dos negócios, recomendo muitíssimo ler esse livro: Everything is Obvious: Once You Know the Answer (para um resumo excelente em português, veja isso). Vocês vai ver que o Steve Jobs parece mais um “lucky bastard” do que um gênio dos negócios na descrição do autor.
Todavia, eu confesso. Eu fui uma das pessoas que contribuiu para o sucesso da políticas questionáveis da Apple. Com a morte do meu primeiro iPod, passei para o segundo. O iPod Nano. 

E esse iPod me apresentou um maravilhoso mundo novo: os podcasts. Tinha um monte de gente, com um monte de coisa interessante pra dizer, gravando essas coisas e colocando na internet. E você pode baixar e ouvir isso sem pagar nada. Eu lembro de várias corridas nas quais eu estava ouvindo Slate Magazine, que tem um podcast tão interessante quanto a revista eletrônica deles. Passei muito anos ouvindo Slate, até que um colega me recomendou This American Life, que é um modelo bem diferente da Slate, mas é super interessante também.Hoje eles dominam minha lista de Podcasts.
Isso inaugurou uma nova era na minha vida. A corrida não era mais sobre performance. Eu não queria mais imitar os etíopes que ganhavam medalhas nas olimpíadas. Ao invés disso, a corrida se tornou aquele momento do dia em eu ouvia pessoas interessantes falando sobre temas atuais, com análises instigantes. Acho que com o iPod Nano e meus podcasts, eu deixei de me preocupar em correr rápido e passei a me preocupar com nada. Eu ia correr feliz da vida, pois era a hora do dia em que eu podia relaxar, me distrair e me divertir muito.

Provavelemente não foi apenas o iPod que fez as corridas ficarem mais fáceis, mas o fato de que meu corpo tinha se acostumado com as corridas e estava mais adaptado a uma rotina regular de exercícios. Mas ainda assim acho que o iPod Nano e os podcasts desempenharam um papel importante. Eu lembro algumas vezes de cair na gargalhada no meio da rua com alguma piada. Os transeuntes te olham com espanto, devo confessar. Mas eu estava rindo muito pra me importar com que eles estavam pensando. Lembro também de chegar em casa e decidir dar mais uma volta no quarteirão correndo, só porque eu queria terminar de ouvir um determinado podcast. Enfim, acho que a dinâmica mudou muito com o iPod Nano.
Recentemente, com a morte do Nano, voltei para o shuffle (thanks J. for the present!).


E entrei de novo em uma nova fase. Ainda mantenho meus podcasts, em especial o This American Life. Mas comecei também a comprar audiolivros (Audiobooks em ingles). Não vou me estender, todavia, dado que já falei do assunto no post em inglês
Qual o próximo passo? iPhone! Assim vou ouvir de tudo um pouco, enquanto meu GPS mede a distância da corrida e me avisa quando as pessoas estão torcendo por mim no facebook. Ou quem sabe eu vou usar o Iphone pra começar a gravar meu próprios pensamentos e escrever um livro enquanto eu corro? Nunca se sabe. O que eu sei é que a vida é bem melhor com todos esses brinquedinhos. 
Fica aqui meu muito obrigada, Steve!

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

O Filho do Facebook

Meu amigo A. sempre me manda coisas super interessantes por email. Eu sempre fico com vontade de colocá-las, no blog, mas está difícil achar tempo ultimamente. Então decidi colocar uma nota curtinha aqui, pra comunicar o nascimento do Facebookson. Sim, um casal de São Paulo colocou esse nome no recém nascido.

A criança, ao complear 18 anos, provavelmente vai ter que enfrentar as cortes para mudar isso. Espero que os juízes possam ajudar o garoto, mas não colocaria minha mão no fogo. Afinal, os ilustres membro do nosso judiciário não tem demonstrado serem pessoas muito razoáveis ultimamente (vide o caso do CNJ e o aumento do salário do STF). 

A pergunta que fica é se, até lá, o menino vai sofrer muito. Com certeza o menino vai sofrer na escola, em especial se a tolerância com o bullying no Brasil continuar tão alta quanto está atualmente (veja aqui alguns dados). Mas será que o nome vai afetar as chances do menino de conseguir um bom emprego, e ser bem sucedido na vida? O livro Freakonomics analisou o problema e, ao menos no contexto americano, a resposta é não. O nome das crianças -- que podem ser nomes que predominam em famílias negras ou brancas -- não afeta suas perspectivas, ao menos não tanto quanto sua origem. Ou seja, o fato de terem nascido em famílias de baixa renda, terem pais com baixos níveis de escolaridade e crescerem em uma vizinhança pobre é o que afeta as perspectivas dessas crianças. Se os resultados da pesquisa se aplicarem também ao Brasil, as perspectivas futuras do menino seriam as mesmas se ele chamasse José ou Gustavo. 

O que fica sem explicação é porque os pais decidiram colocar esse nome na criança. Os mesmos pesquisadores tem um estudo elaborado sobre a origem dos nomes de bebês. Em especial, eles mostram como nomes de bebês migram das classes mais altas para as classes mais baixas. Mas essa pesquisa claramente não se aplica ao caso do Facebookson. Acho que aqui a causa não passa simplesmente de falta de bom senso...  

domingo, 2 de outubro de 2011

Confissões de uma (pseudo) corredora

Depois de uma longa e tenebrosa ausência, que em parte foi causada pelo fato de que eu estava treinando duro para correr meia maratona, estou de volta ao blog. E segue aqui a primeira de uma série de posts sobre essa aventura, que explica o título do post. Peço desculpas aos que não lêem em inglês, mas não tive tempo de traduzir. 


Are you a runner?

“No, I am not”.
This is the main thought that went through my head in the last few weeks, but specially as I finished my last long run, 22 kilometers, a few hours ago. I do not remember doing something so unpleasant and painful in my life since my divorce. I could not recall how I ended up signing for a half-marathon and being forced to train for it. But there I was, puffing and struggling to do the “assigned distance” for that day.
One thing that I found out in training for a half-marathon is that running long distances gives you a lot of time to think. Initially I thought this would be a productive use of my time: as an academic, I would be better off thinking while running, as opposed to sitting at my desk. But I soon found out that it does not work that way. To be alone with one’s thoughts for such an extended period of time is boring and tedious – or it may be that my thoughts are boring and tedious. I wonder if people who enjoy training for marathons have more interesting things to debate with themselves… Anyway, for me it was boring. Academics have classes, conferences, or at least a colleague next door by whom they can run an idea and discuss their thoughts. The days I spend alone, I am reading others’ people work, which is like a dialogue as well, only that it is not live. Doing long runs alone is like hearing a boring two hours lecture given by yourself to…yourself. And let me tell you, I am a tough crowd. Indeed, I am the kind of crowd to which I never want to give a lecture again in my life.
Because I did not like to be alone with my thoughts for such an extended period of time, I started listening to audio books during my runs. Some of them were dull; others were interesting. But even the dull ones had a major advantage over staying alone with my own thoughts: they were about things that I did not know or had not thought about. So, they distracted me from the fact that I was doing something rather unpleasant. But I still regret having signed up for this race and kept wondering how this happened.
I think it all started in an academic conference. After my presentation (to a much friendlier crowd than myself), T. came to me and asked:
- Are you a runner?
Totally taken by surprise, I replied: how do you know?
- Because you have a runner’s body.
I should confess that I became very proud of my runner’s body after that day, because I did not know I had one! The problem is that once you’ve got it, you get really attached to it. This is why I got so mad when I heard T. using the same sentence with another person a week later. It was another attempt to recruit a member for the recently formed running club, of which I was now part. Initially, I felt insulted. Actually, I was very close to throwing a fit:
-       “How come you are saying that to her? This person clearly does not have a runner’s body!”
Luckily, I decided to control myself. Imagine the headlines: university professor charged for offending a complete stranger. Not sure what I would be charged for, but it seems to me that someone could get in trouble for doing something like that. As T. repeated the question – and the fake compliment -- multiple times to various people over the course of the many months that followed, I got used to it. And I can truly attest that there is no discrimination in the use of that sentence. As long as you are a breathing human being, you face the risk of finding a stranger called T. tapping over your shoulder and asking: “Are you a runner? You have a runners’ body.”
Despite not caring about it anymore, the sentence is important for this inquiry about how I got myself into this. This is where it all started. It was this sentence that drowned me into the running club, and lead to the long-winding road that brought me to the despicable situation of running 22 kilometers while listening to a stupid audiobook and deeply regretting it. That sentence was the first sign. It was not only that lady that I was about to offend who did not have a runner’s body. I (and all the long list of people harassed by T. on a daily basis) also did not. But it took me a few years and over two months of training for a half marathon to realize that.
How could I fool myself for such a long time? Being a university professor, I would like to think that I am smarter than the average Joe. Yet I am confronted with the fact that most of the average Joes invited to join our running club realized that “they did not have a runner’s body” faster than I did. If my stupidity is to blame, the mystery is solved and we can all go home now. However, I would like to think that I am not stupid (I guess the average Joe does too, but that is beyond the point here). The point is this: because I am not ready to accept how stupid I am, I still need a persuasive account of why an (moderately, my fellow runners would add) intelligent person comes to wrongly believe – with such intensity – that she is a runner.   
If I am not as stupid as some other people in this running club will try to suggest, what is left? What made me believe I was a runner? To answer that question, I probably need to understand why I accepted the invitation that followed the question, the invitation to join the running club. Why did I showed up on that Saturday to run at 7am, a ridiculously early time for any member of civilized society to be out of bed on a non-working day? I don’t know. I guess I was lonely. At that point, I did not have much of a social life. So, going out with people seemed like an interesting proposition for someone who had absolutely nothing else to do, except work.
One thing is certain: for me, the running club was not about the exercise. I never had trouble following my running routine almost religiously, every other day. Running is a habit that I acquired while doing my doctorate and has stayed with me since then. Running 5 or 7Km was the way I found to reset my mental computer, after a day of intense intellectual work. It was the mental benefits of running, not the physical ones that pushed me into it. But except for running and work, there was not much going on in my life when T. made the invitation. I had been extremely disciplined about everything that had the label “obligation” and very undisciplined about anything that had the label “fun”. So when I showed up that Saturday morning I was just looking for a group that would force me out of the house once or twice a week to relax and socialize. It was those things that I did not have enough discipline to do on my own.
Now that I look back, I understand why I was hooked at that first meeting, over two years ago. Everybody hugged me when I arrived, which was very different from the handshake that I was used to in Canadian soil (it is often a welcoming handshake, but it ain’t a hug, if you know what I mean…). I liked that. No formalities. And I did not even see the run go by. I was getting acquainted with the rest of the group and being amazed with the fact that I was meeting so many people from so many different walks of life in one single day. There was a nurse, a financial advisor, a fashion industry executive, a person from the pharmaceutical industry, and T., who was an academic, like me. I felt like I had been living in a bubble all these years. If I stayed away from T., I thought, my days of hanging out with academics and talking about work were over!
But the best part was still to come. After the run, we sat down for coffee and had a lively conversation about online dating. One of the runners had used the services with great success and was now happily married. And she was not shy of sharing some of her tips about avoiding whackos, stockers, liars and – most importantly -- how to screen for boring people. Two of the divorced women in the club got very interested in the adventure and seemed to be planning on getting together later that day to try to use it. And I was there finding this entire interaction very refreshing. The topic was refreshing; the people easiness to talk about the topic was surprisingly refreshing; and the fact that the topic was not related to legal issues was extremely refreshing.   
After this, it did not take long for me to be completely at ease with the group. “What happens on the road stays on the road”. This became our motto. It meant that I did not need to be stiff, try to say smart things, or even behave properly while running with the group. No topics were forbidden, no jokes were censured, and no behaviour was judged (as long as no animals endured any type of physical or emotional pain in the process, but I cannot say the same about the runners…). This was my liberation. It was like running on mental underwear. And I became so comfortable with the group that some other members of the running club will be happy to share stories with you suggesting that I may have been too comfortable at times…
But the point is that there was no serious training, obsession about races, or anything like that. Running was just an excuse to meet. Indeed, our social activities were much more frequent and reliable than our runs. Few people showed up for the runs, but everybody showed up to the dinner parties, birthday cakes, holiday celebrations, or any of the gatherings that happened with no particular reason.
Then, Jaja joined the group. She showed up one Saturday morning at the coffee shop where we normally meet. Luckily, she had not been a victim of T’s indiscriminate recruitment policies. Instead, somebody else had recruited her. So, she came without thinking that she had a runner’s body. She smiled and ran with us. And I did not know what to think at first. She seemed to be nice and interested in what I was saying, despite the fact that she took 6 months to memorize which country I was from. Every week she had a different guess. All her guesses were in the same continent, Latin America. But she would never try to guess Brazil. She mentioned Argentina, Chile, Peru… you name it. But never Brazil. I did not know what to make of it. I would correct her one week, and then one week later she would turn and ask again which country I was from. This question gave me the impression that she was not paying attention to anything that I was saying.
But then we clicked. Or I think I got her. I think she operates at a different level of cognition. She knows exactly how I am feeling, despite the fact that she cannot remember which country I am from. And I am exactly the opposite: I have no clue about what I am feeling, let alone what others are feeling... So, I guess we just learned to interact with each other in a respectful and constructive way. Or maybe I just accepted the fact that she did not know which country I was from, but she had good intentions and a big heart. And this is what really matters. Then I opened up to her, and I think the group slowly started to open up as well. And Jaja proved to be this really interesting and fun person, who slowly started to change everything. She created a logo for our group, she created funny nicknames for each of us (and she may be even willing to share it, if you ask nicely), she made reflective bands with belts to make sure our runs on Saturday mornings were safe and artistic. She has so much energy that it is almost contagious.
Despite all these nice qualities, she may be the one to blame for getting me into believing that I was a runner. Until she joined the club, we just went for our regular runs and refreshing conversations over coffee. As T. always said, “we are a drinking club with a running problem”. But then Jaja started signing up for races, and we started following her. She would sign up for a new one, and there we were signing up as well. Then, she started finishing at really impressive times, and getting excited to improve in her next race. It was clear that we would never run this fast, but we did feel that we needed to pick up our game a little bit. So, we started training more seriously as well.
There is a reason Jaja got addicted to training: she is a fast runner. By fast, I mean, really fast. She qualified for Boston in her first marathon (if you are not a runner, you probably do not know what this means. In this case, just trust me: she is really fast). And she has more energy than the world could possibly consume. So, running is perfect for her. 
At this point, you may be thinking to yourself: the fact that she made you take running more seriously is a good thing, right? Wrong. Jaja has so much energy that she can indulge herself in the previous evening, drink a lot, dance until the sunrise, and do her training or even have a stellar race the next morning. We don’t. The rest of the club and I need to choose between drinking, dancing or running. We can’t do any combination of two items in the previous list; let alone a combination of the three items, which is what Jaja normally does. This means that for us mortals training reduces drinking, and vice-versa. The BJ (before Jaja) period in the running club was tipping towards more drinking, but the AJ period was totally tipped towards training. Indeed, in contrast to those glorious days in which drinking outpaced the running, now I feel like I would need to become an alcoholic to be drinking more than I am running.
Maybe Jaja is not to blame alone, and we got ourselves into this together, somehow. Isn’t this what they call the power of the group? If it is, runners of the world be aware: the power of the group is evil, malicious and misleading! It will trick you into painful training that does not leave any free time for partying. Be careful! If you see the power of the group coming, run in the opposite direction! Just make sure your running club is running with you so you do not find yourself partying alone later…
At the end, I still do not know how I got myself into this.
But this is about to end: my last long run is done and next weekend is the race. People keep telling me that I will be proud of myself once I finish the race. They say: “this is a big achievement”. I don’t think it is. It was a waste of my precious time. I can assure you that I will not be proud or happy. I will just be relieved. If there is something that I achieved with this training was the certainty that I am not a runner. And I am hoping that once the race is over we can go back to being a drinking group with a running problem.
***
 

domingo, 28 de agosto de 2011

Coisas inusitadas: conhecendo Barcelona no Brasil

Hoje de manhã me dei ao luxo de assistir TV, uma coisa que faço raramente. Apesar de estar supostamente de férias no Brasil, estou de castigo em casa, trabalhando. Na última semana tirei apenas alguns minutos de descanso para alimentar meu novo vício: o jogo Angry Birds para Ipad (e mais algumas horas para correr...). 

Mas fora isso, minha vida está no modo: "all work and no play makes Jack a dull boy". Mas fiquem tranquilos, estou na versão mais tradicional do provérbio, não na versão Jack Nickolson:




Mas hoje era domingo e  eu decidi abrir uma exceção: today, Jack was allowed to play! Há algum tempo adquiri o hábito de não trabalhar no fim de semana (ao menos um dia) e, apesar de estar tudo atrasado na minha vida, e de eu estar com a corda no pescoço, eu merecia fazer algo diferente. Fui ver TV.  

(Nota: na realidade, eu me juntei aos meus pais assistindo TV na sala enquanto tomavam café da manhã... Mas achei que a descrição do evento como uma ação intencional e propositada ficou mais interessante. Na outra versão, eu caminhava sonolenta pra sala, me sentava à mesa e ficava olhando pra TV sem pensar em absolutamente nada até esperar a cafeína começar a fazer efeito no meu sistema nervoso... Em outras palavras, estou revelando aqui meu segredo: meu blog não é um diário, mas sim uma obra de ficção com fortes semelhanças com a realidade, que não são meras coincidências!)

Mas voltemos. Na TV estava passando um programa chamado Lugares Incomuns, na qual uma reporter viaja para cidades do mundo e acha coisas supostamente inusitadas para contar. O público alvo é primordialmente a classe média brasileira que pode assinar TV a cabo e sonhar com destinos no exterior para a próxima viagem de férias. Colocando em outras palavras, quando o programa começou, não estava com fé de que ia ver nada de interessante (sim, confesso, meu humor não anda dos melhores...). 

E de fato a maior parte do programa mostrava coisas medianamente interessantes sobre Barcelona. Nada imperdível. Ao mesmo tempo, não era nada tão horrível a ponto de motivar alguém a abandonar sua xícara de café no domingo de manhã pra procurar o controle remoto -- perdido em algum lugar do sofá na noite anterior -- e começar uma busca frenética por algum programa decente. Enfim, nada que merecesse ir para o blog.


Mas daí aconteceu uma coisa inesperada: a apresentadora selecionou um tema interessante pra mostar na TV. O pixing: uma campanha iniciada por meninas em Barcelona, que protesta contra a falta de banheiros públicos na cidade. O argumento é muito justo: homens fazem xixi na rua, mas mulheres não tinham essa conveniente opção. Pois essas meninas decidiram oferecer essa opção para as meninas, e fizeram um mapa de diversos locais na cidade onde se pode fazer xixi na rua com alguma privacidade.





(veja site oficial)


E agora no fim do dia descobri outra coisa legal que aconteceu em Barcelona: uma empresa de telefone celular instalou um jogo dos Angry Birds (meu novo vício, como confessei acima) ao vivo em uma praça da cidade. 




(thanks J. for the video!)

Depois disso, vou ter que sucumbir à dura realidade, assumir minha mentalidade classe média contra a qual eu luto com tantas forças, e começar a planejar uma viagem pra lá. 

Como minha tia T. foi a única que pareceu persuadida com meus posts sobre Bolzano (ainda que o tenha feito pessoalmente, e não através de comentários no blog) fica meu convite: Bolzano, Barcelona, e ______ (preencha a lacuna com outra cidade com B...). Sim, vamos assumir toda nossa mentalidade mulheres de classe média e imitar o livro da Liz Gilbert também! 

P.S. Privado para minha tia T. - Tia, aproveite que a oferta é por tempo limitado: corro o risco de levantar qualquer dia desses, lembrar porque eu parei de assistir TV há tanto tempo, e voltar a lutar contra essa mentalidade de classe média que ainda mora dentro de mim...


Private P.S. to T. -- I hope the reference to The Shining will give you better dreams than my last post (see T.'s comments to my last post). I will try to be more consistent, as long as you promise to do the same with the Go Girls Blog!


domingo, 31 de julho de 2011

Pernas pra que te quero (4): trançando as pernas em San Francisco


 Último dia de viagem. Eu tinha que fazer o check-out as 11 da manhã e pegar um vôo para Costa Rica meia noite. Ou seja, as minhas opções eram vagar pelas ruas de San Francisco, homeless, carregando uma mala e procurando algo pra comer, ou... ir para um wine tour. Achei que a segunda opção combinava mais comigo. O boneco de cera e a Vespa na entrada da primeira vinícola pareciam confirmar minha premonição....





O que eu rapidamente descobri, todavia, é que quanto mais bonita a vinícola, pior o vinho. Acho que quanto menor a capacidade deles de produzir vinho bom, mais eles investem em infrastrutura. 
 

Ou seja, se você entrar em uma vinícola na qual construiram uma fonte na frente da plantação, e portais que tentam reproduzir os monumentos italianos, se prepare para tomar um dos piores vinhos da sua vida.
 

 Por outro lado, se você entrar em uma vinícola que têm uma casa simples, um jardim bem cuidado e uma construção histórica, da época das missões, que foi preservada, se prepare para um vinho bom. 







Mas apesar dos vinhos ruins, a viagem foi divertida. Não sei se eles se coordenaram ou não, mas cada guia dava uma informação diferente sobre a razão pela qual as vinícolas têm rosas plantadas no início de cada fileira de cada videira. O primeiro falou que era para identificar a cor da uva: rosa branca, uva branca, rosa vermelha (ou rosa), uva vermelha. O segundo disse que não era nada disso, que o propósito era meramente decorativo. O terceiro disse que era por causa das pragas: como as rosas são muito sensíveis, elas pegam a praga primeiro, e dão tempo do dono da vinícola passar inseticida na plantação antes de perder todas a safra. O motorista do ônibus, em contrapartida, disse que esse negócio de praga era balela, pois as pragas que atacam videiras são distintas das que atacam roseiras. Ficamos todos, inclusive eu, sem saber em quem acreditar...


 


O debate sobre as roseiras não deixa de ser, todavia, um modo interessante de organizar uma excursão turística. Sempre nessas excursões ouve-se apenas uma versão da história e as pessoas acabam guardando a informação como se fosse verdadeira, sem checar. Ou seja, fala-se muita besteira e ninguém é punido por isso. 

Nessa excursão, em contraste, eles conseguiram dar a todos um gostinho do que é o trabalho acadêmico. O pesquisador lê tudo sobre um assunto e acaba descobrindo que várias pessoas têm várias versões ou análises sobre um mesmo tema. O que fazer para descobrir quem está certo? Já adianto que colocar no google não adianta: todo tipo de informação que você encontrar tem o mesmo problema das informações que foram dadas na excursão. Não dá pra determinar qual está correta. A partir daí, o trabalho do pesquisador é desenhar um método que consiga testar as hipóteses e descobrir qual tem mais evidência para sustentá-la. E aqui vai uma regra importante: é quase impossível provar que uma coisa é certa e outra é errada. A maior parte do trabalho acadêmico, em especial o trabalho científico, é descobrir o que é mais provável. Segue meu vídeo preferido sobre o assunto:






Para os que estão achando que eu me embriaguei e estou desviando completamente do assunto, se enganam. Por muito tempo se acreditou que eram os deuses que convertiam o suco de uva em vinho. Um dia um cientista resolveu investigar o que estava acontecendo e, com a ajuda de um microscópio viu que a levedura transformava o açucar da uva em álcool.  E depois dessa descoberta, ficou mais fácil tentar manipular o processo para produzir vinhos de melhor qualidade - adicionando mais açucar ou controlando a ação da levedura. Antes disso, sua única opção era acender umas velas. Ou seja, graças à ciência não estamos mais à mercê de deuses geniosos...

Mas voltando às vinícolas: as informações sobre os tonéis de carvalho (em contraste com as roseiras) foram bastante coerentes. Eles custam muito caro (cerca de 3.000 dólares cada), duram de 3 a 5 anos e depois seguem para destinos incertos. Ele vêm de todas as partes do mundo -- especialmente europa -- e contribuem para uma porção significativa do gosto do vinho. Fiquei pensando se o pessoal que construiu a fonte acabou economizando nos tonéis. Isso explicaria porque o vinho deles era tão ruim...



Além do vinho e das explicações sobre o processo de produção do vinho, o tour também teve lojinhas com produtos interessantes, como esse segurador de copo, caso você precise deixar suas mãos livres para alguma outra tarefa...


E cartões inspirados por temas relacionados a vinho, como este cartão boêmio:


A excursão também incluiu visitas a prédios históricos, como este, da época das missões espanholas. Os missionários católicos da ordem franciscana vieram para a costa do Pacífico apoiados pelo governo espanhol para colonizar a região e converter os nativos ao cristianismo. Por isso que tantas cidades aqui tem nomes em espanhol... Esse é o prédio da última missão.




E a excursão terminou com uma bela vista da cidade de San Francisco, com a outra ponte que atravessa a baía, que eu esqueci o nome.



Ou seja, no fim das contas, valeu a pena ir na excursão. Ao invés de passar o dia carregando minha mala e procurando algo pra fazer, passei o dia bebendo vinho e tendo minha curiosidade instigada pelos guias locais. Além disso, aprendi mais um pouco sobre a história da região e sobre o processo de produção de vinhos. Sabia que dá pra fazer vinho branco com uva vermelha? Pois é. Se quiser saber como, procure no google. Quem sabe você dá sorte e acha a resposta certa. 


 

Pernas pra que te quero (3): pedalando em San Francisco

 (Aviso aos navegantes: esse é a continuação do meu relato da minha viagem no início de junho. Eu estou atualmente andando de bicicleta, mas em Toronto.) 





Depois de caminhar e correr em San Francisco, meu terceiro dia foi dedicado a um passeio de bicicleta que começou na Golden Gate Bridge.




Muitos turistas fazem o percurso, que é super bem sinalizado, com paradas estratégicas para fotos.




Além da paisagem, o trajeto também teve algumas surpresas. Uma deles foi esse batalhão da polícia, atravessando a ponte.



E quando eu achava que tinha acabado a longa fila de policiais, lá vinha mais um grupo.


A segunda surpresa foram aviões de fumaça escrevendo mensagens sobre a ponte. Eu nem tinha notado que eles estavam lá, mas quando todos os pedestres pararam pra olhar pra cima, parei pra olhar também.


Não me perguntem o que está escrito, mas confesso que antes deles colocar o terceiro M, achei que era uma homenagem a mim (MMP...)


A terceira surpresa é que há vida do outro lado da ponte. Depois de atravessar a ponte, é só continuar descendo pela sinuosa estrada (veja a placa anunciando a curva), pra chegar na simpática cidade de Salsalito.
 


E a quantidade de turistas chegando lá de bicicleta é tão grande que eles tem placas indicando onde é o estacionamento de bicicletas...



Depois de pedalar tanto, nada como um bom almoço com um bom vinho pra relaxar à beira da baía.

Depois do almoço, fui tentar comprar uma lembrança nessa simpática cidadezinha, mas confirmando o esteriótipo de californianos de bem com a vida, encontrei a loja fechada para almoço...


Ao menos a sorveteria estava aberta, com um título que talvez tenha saído do vídeo do YouTube com o mesmo nome.


E uma nota curiosa, sobre a sorveteria: se você for um soldado na ativa, você ganha sorvete de graça! Obviamente você precisa sobreviver às balas e bombas que vão atirar na sua direção antes...

E para os turistas se sentirem prestigiados, o potinho tem bandeiras do mundo todo, incluindo do Brasil (que não saiu na foto, infelizmente)


Vinte minutos depois, voltei na loja e nada de vendedores. Como bons californianos, eles estavam perdidos em algum lugar comendo calmamente o almoço deles. Me restou tirar uma foto da camiseta que eu ia comprar.

E o melhor da história é que os ciclistas podem voltar de barco, ao invés de subir a longa e tenebrosa subida de volta pra ponte. Como vocês podem ver pela fila de ciclistas, são poucas as pessoas que se aventuram a voltar pedalando.




E o passeio de barco também teve suas surpresas. Uma foi passar bem pertinho de Alcatraz.



A outra foi uma vista bem bonita da cidade. 


E a terceira foram os leões marinhos no porto. Por algum razão inexplicável eles se instalaram ali e moram por lá há anos. 


Em resumo: esse passeio vale muito a pena. Recomendo pra qualquer pessoa que tenha um dia livre em San Francisco.

terça-feira, 12 de julho de 2011

O segredo dos italianos

Estou em um processo de desintoxicação. Depois de quase dez dias comendo massa, sorvete e pizza, eu estava desesperadamente esperando pela volta da minha rotina e, principalmente, da minha dieta. Depois de engordar uns três quilos, eu estou feliz em voltar a comer massa uma vez por semana. Pizza? Somente em ocasiões especiais. Sorvete? De quando em nunca. E estou muito bem, obrigada!

A pergunta que ficou, todavia, é como os italianos fazem isso. Como eles mantém essa dieta e são magros, esbeltos, e elegantes? Eu não tirei fotos, mas acreditem em mim. Um país que vive da dieta na qual eu estava vivendo nesses dez dias deveria ter problemas sérios de obesidade mórbida, como os Estados Unidos. Mas não vi ninguém com obesidade mórbida. Há, sim, uma barriguinhas aqui e acolá. Mas a maioria das pessoas são belas a esguias e eu fiquei me perguntando qual o segredo deles.


Depois de consultar alguns entedidos sobre o assunto, descobri que há pelo menos três hipóteses:

(1) J. acha que o segredo deles é o cigarro e a bicicleta. Sim, eles fumam. Em todos os lugares. Especialmente quando estão andando de bicicleta. A hipótese de J., portanto, é que o cigarro controla o aumento de peso e eles ainda complementam isso com um exerciciozinho de quebra. Os mais esforçados fazem ambos ao mesmo tempo, pra garantir que não vão engordar de jeito nenhum.

(2) Jaja, em contraste, acha que é auto-controle combinado com uma cultura saudável. Argumenta ela que as porções são pequenas. Não se come um prato gigantesco de spaghetti, mas um prato pequeno. O sorvete vem em um potinho que seria considerado amostra grátis para degustação na América do Norte. O argumento dela, portanto, é que esse pessoal sabe o que está fazendo, ou seja, eles sabem "apreciar com moderação".


(3) Gladwell, um dos meus escritores favoritos, em contrapartida, tem outra tese. No primeiro capítulo do seu livro, Outliers, ele descreve um grupo de cientistas que investigavam os hábitos de uma comunidade de imigrantes italianos que havia mudado para a América do Norte. Apesar da dieta absolutamente insalubre, não se observavam os índices de mortalidade, doenças coronárias, e todo tipo de seqüela que se poderia esperar daquele tipo de alimentação. Os cientistas eliminaram a hipótese de alguma mutação genética (e eliminaram outras hipóteses também) e chegaram à conclusão de que a vida em comunidade era o segredo dos italianos. Essa coisa de um passar na casa do outro, todo mundo conhecer todo mundo, a comunidade ser pequena e funcionar quase como uma família deixava -- por alguma razão que eles não conseguem explicar -- todo mundo saudável. Ou seja, para Gladwell, não se trata nem das malícias e truques, nem das proezas admiráveis da raça humana. Ao contrário, esse caso de sucesso (como todos os outros que ele analisa no livro) é um conjunto de acidentes, circunstâncias e de acaso, ou seja, coisas que estão completamente fora do controle daqueles que são considerados "bem sucedidos". 

Escolha sua hipótese preferida. J. tem como vantagem o fato de ser decendente de italianos. Jaja, por outro lado, tem a seu favor o fato de ter vivido durante quase 10 anos na Itália. Gladwell, por sua vez, pode argumentar que ele mesmo fez uma pesquisa sobre o assunto, sem contar toda a pesquisa dos acadêmicos que inspiraram o caso que foi parar no livro dele.

Eu, pessoalmente, decidi não testar nenhuma das hipóteses em mim mesma e estou ficando longe de massas, pizzas e sorvetes por alguns meses....

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Bolzano vs. Bologna

Minha viagem a Itália começou em Bolzano, quase na fronteira com a Áustria, passou por Bologna e outras cidades menores, e terminou em Bolzano. E mesmo depois de experimentar o que supostamente há de mais atraente na Itália,  continuo apaixonada por essa cidade (vide post anterior).

Considerando que os leitores assíduos do meu blog são, basicamente, membros da minha família, vou tentar convencê-los de que deveríamos tornar Bolzano nosso local permanente de férias. 

Comecemos pela minha mãe, que atualmente é quem mais resiste a sair de casa. Bolzano tem ruas charmosas, fechadas ao trânsito, com lojas do mundo todo para uma tarde inesquecível de compras. E como toda tarde de compras, há que se ter um intervalo para descansar as pernas e observar os transeuntes. Para isso há cafés em todas as esquinas, onde se pode sentar para tomar um espresso servido com um biscoitinho delicioso, ou um veneziano, que é um drink leve com prosecco, licor de laranja e suco. 

Bologna tem as mesma lojas, mas sem as ruas charmosas fechadas ao trânsito, e sem cafés por perto. Ou seja, anda-se muito mais em Bologna pra conseguir tudo o que se consegue em Bolzano em algumas poucas quadras.

E para as mulheres da família que estiverem interessadas nos produtos locais, Bolzano tem duas indústrias de destaque. Uma é a de produtos de couro, com jaquetas e bolsas estilosas e duradouras (afinal estamos na Itália, mas a maioria da população aqui é descendente de austríacos). A outra é uma indústria de artesanato que produz várias figuras lindas, mas que é especialmente famosa pelos anjinhos. 

Bologna, em contraste, não parece ter uma indústria local (a nāo ser a de comida). Portanto, você acaba ficando com a opçāo de comprar uma bolsa da Victor Hugo ou um óculos da Giorgio Armani que você podia muito bem ter comprado no Brasil. 

Já meu pai, ia ficar fascinado com a preocupação ecológica na cidade. Bolzano não apenas mantém a maior parte da sua produção agropecuária orgânica (até a manteiga no café da manhã era orgânica!), mas também desenvolveu uma cultura em que todos andam de bicicleta. Sim, há poucos carros na cidade e os ônibus parecem uma van da casa de repouso, pois são basicamente utilizados por pessoas de idade que não se aventuram mais nas bicicletas. 

Nāo vou nem comentar o sistema de coleta de lixo em Bologna e devo dizer que apesar das Vespas serem muito charmosas, elas nāo sāo tāo boas para o meio ambiente e para sua saúde quanto as bicicletas.

Voltando pra Bolzano, minha irmã ia ficar fascinada com a arquitetura do lugar. Além de casas históricas e castelos na montanha, Bolzano tem prédios super novos e modernos, como o museu e a universidade. As duas pontes na entrada do museu sāo  uma obra impressionante e uma das mais criativas que eu já vi. A cidade também desenvolveu uma elaborada engenharia para tornar todos os prédios eficientes (ou seja, reduz o consumo de energia dos mesmos, aproveitando a luz solar para aquecer o que tem que ser aquecido e a circulação natural de ar para resfriar o que tem que ser resfriado). Além disso, a cidade produz uma janela interessantíssima, que quando fechada isola o ambiente de ruído e da temperatura externa, e que pode ser aberta de dois modos distintos, dependendo de como se quiser fazer circular o ar dentro do ambiente. Uma verdadeira obra de engenharia e design!

Bologna em contraste tem o que o meu guia chamou de uma salada de estilos, com camadas e mais camadas de construções em um mesmo prédio. A confusāo é curiosa, mas está longe de ser agradável aos olhos. Além disso, Bologna tem duas torres tortas, nos melhor estilo da Torre de Pizza. Mas confesso que entre torres tortas que nāo pareciam servir pra muita coisa e os prédios ecológicos, eu fico om os prédios.

E para toda a família, que aprecia um bom vinho, a regiāo tem várias vinícolas. E a maioria produz um vinho tinto delicioso de uma uva chamada Lagrein. O melhor que eu tomei, sem dúvida, foi o produzido no castelo Flavon, que além de servir esse vinho inesquecível tem um restaurante de primeira chamado Haselburg. E antes que todos saiam desesperados por aí em busca do tal vinho de Haselburg, aviso que ele é apenas vendido no castelo. Ou seja, vocês precisam vir até aqui experimentar...

Para os interessados em boa comida, como eu, a cidade oferece uma mistura interessante de restaurantes italianos e alemāes, de maneira que se pode alternar o tipo de comida. Acreditem, depois de passar quatro dias viajando por Bologna e arredores eu dou qualquer coisa por um chucrute! Além disso, o café da manhã do Hotel Cittá é de longe o melhor que eu já comi. Tem frutas frescas com iogurte natural (orgânico), cinco tipos de mel da regiāo, dez tipos de queijos e frios, acompanhados da maior variedade possível de pāes. E se você ainda nāo estiver satisfeito, você pode se servir de todos os tipos de doces em compota, servidos com queijo branco e, por fim, você pode escolher entre apfelstrudel ou cheesecake. Isso sem falar nas bebidas, que incluem suco de fruta natural e cappucino de verdade (feito com café espresso).

E para os atletas da família, a regiāo tem ski resorts no inverno e rotas de ciclismo no verāo. Cheguei até a encontrar um grupo de ciclistas profissionais do Brasil que tinham ido até Bolzano pra tirar férias fazendo o que eles mais gostam com a belíssima imagem das montanhas ao fundo.  Para os esportistas menos profissionais, como eu, a cidade tem uma adorável trilhas, às margens do rio, que é o lugar perfeito para meia hora de jogging pra queimar as calorias do café da manhã ou da cerveja produzida segundo a tradiçāo da Bavária, sem conservantes e sem ser pteurizada (e que, por causa disso, nāo pode ser exportada....). E para o menos inclinados e se exaurir, dá para apreciar tanto os rios quanto as montanhas tomando um drink em um café. 

Nāo se pode fazer nada disso em Bologna...

Enfim, proponho que Bolzano se torne o local oficial de férias da família. Que tal uma vaquinha pra comprar um castelo por aqui?

sábado, 2 de julho de 2011

Achei o paraíso!

Não, não estou no Rio. Estou na Itália de novo. Sim, a mesma Itália com a qual tive tantos problemas no ano passado. Mas dessa vez está sendo diferente. Parte da diferença sou eu, que mudei um pouco minhas crenças (vide post anterior). Mas a outra parte da diferença veio do lugar. Ao invés de ir para a Sicília, agora estou no norte da Itália, em uma cidade chamada Bolzano (não sei o nome em português...).

(Tentei colocar uma foto, mas não saiu, pois estou usando o blackberry pra escrever esse post...)

Bolzano era território austríaco até o fim de primeira guerra mundial, quando passou a ser parte da Itália. As coisas não mudaram muito por aqui até a segunda guerra, quando o louco do Mussolini começou a incentivar a imigração italiana. Resultado? Uma cidade com tudo de melhor da Itália e da Áustria.

As pessoas aqui aproveitam a vida, tomando drinks em piazzas e cafés, comendo comida italiana de primeira. Ao mesmo tempo, tudo funciona impecavelmente, desde o serviço de transporte publico até o serviços de informação ao turista do governo. E a melhor parte são as sobremesas austríacas: chocolate e apfelstrudel!

Com água na boca? Pois eu ainda não terminei: no meu último dia em San Francisco fiz um tour em Napa Vale, mas descobri aqui que o vinho da Califórnia recebe mais atenção do que devia. Ontem bebi um dos melhores vinhos da minha vida em uma vinícola que fica em um castelo!

Sim, Bolzano deixou o Napa Valle no chinelo!

Eu ainda estou tentando descobrir porque essa cidade não esta em todos os guias turísticos. Minha hipótese: acho que quem conhece não compartilha, pra preservar a cidade como esta, ao invés de virar um grande centro turístico como outras cidades italianas.

A caminho de Bologna amanhã. Aguardem!
Sent from my BlackBerry device on the Rogers Wireless Network