terça-feira, 11 de setembro de 2012

Se meu fusca falasse

Caso eu tivesse um carro, ele diria isso:



Só não seria um Prius, como esse, mas sim um fusca daqueles originais (década de oitenta, de preferência).

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Os aloprados de cada estado

Uma das formas que os americanos usam para manifestar suas opiniões, além da internet, são seus carros. E as diferenças entre os estados são gritantes.

Esse é um carro no Colorado, onde passei duas semanas em julho. 
 
 

Esse é o carro de uma pessoa que saiu de Rhode Island mas hoje mora em Massachussets. 
 
E aqui um detalhe do carro acima. 
 
 
Bom saber que eu decidi passar as férias no primeiro e morar no segundo. O contrário não ia dar muito certo...  

domingo, 9 de setembro de 2012

Brazucando em Boston

Com tantos brasileiros por aqui, não dava pra deixar o 7 de Setembro passar em branco.

Teve hino nacional com batucada


E barraquinhas de comida brasiliera com as famosas mulheres do nosso Brasil varonil.


sábado, 8 de setembro de 2012

Ano novo, vida nova

Pois é. Sumi. Tive um verão tão intenso que não deu tempo de parar para escrever. Vou ver se começo a recuperar as memórias do verão aos poucos, agora que as coisas estão se acalmando. 

Enquanto isso, o blog começa aqui sua nova fase. Com o início do ano acadêmico, começa também a minha vida canadense em Boston, nos Estados Unidos. E eu tenho um livro inteiro para escrever, o que não vai me dar tempo para escrever aqui com frequência... Para não deixar o blog no vácuo, vou tentar postar todos os dias uma foto ou vídeo, para retratar o dia-a-dia aqui. Vamos ver se dá certo.

E comecemos com o fato de que eles vendem camisetas com meu novo CEP - 02138


E sai pela bagatela de 12 dólares!


No país das oportunidades, sempre se arranja um jeito de fazer dinheiro!  

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Turismo Devidamente Cafeinado

Enquanto eu estava no Havaí, pensei em escrever um post sobre esses americanos que saem de férias pra comer a mesma comida, tomar o mesmo café e comprar o mesmo tipo de roupa que eles comprariam se estivessem em casa. Qual o ponto da viagem se você não quer experimentar coisas novas? 

A idéia do post surgiu quando vi a fila para comprar café no Starbucks. Estava lá no primeiro dia e ali persistia, todas as manhãs. E era bastante inclusiva: todas as raças, idades e gêneros dividiam o espaço para conseguir comer e beber o que comiam e bebiam todos os dias em Boston, São Francisco, Texas ou Chicago. 

Eu, tentando provar minha superioridade turística, passei direto sem nem olhar para o Starbucks e entrei em um café local. Virei frequentadora assídua do lugar, que vendia café com grãos produzidos na ilha. E era tão bom quanto o Starbucks. Além de ter uma decoração muito mais interessante, como o quadro abaixo:

  
Mas minha capacidade de evitar o Starbucks não durou muito. Depois de cinco dias no Havaí, peguei um vôo para a Cidade do México. Lá, encontrei um dos piores cafés da minha vida. Era de graça, pago pelos organizadores da conferência. Ainda assim, era tão intragável que eu me vi obrigada e sair do hotel em busca de algo melhor. Juro que eu tentei tomar café nos estabelecimentos locais, sem sucesso. Não demorou muito e lá estava eu, entrando no Starbucks...

Resolvi tentar salvar minha reputação de turista não-americana aqui em Colorado. O hotel tem um Starbucks fácil e rápido, mas eu fiz questão de ir até o vilarejo no pé da montanha em busca de um café local. Achei um lugar ótimo, chamado Kind Coffee, com excelente música e um dos melhores cafés que tomei na vida. De novo, virei frequentadora assídua do local (que era um ótimo lugar para fazer minhas leituras também).

Mas ontem eu descobri que há custos para frequentar o café local. Enquanto eu saboreava meu café e fazia minhas leituras, entraram dois caubóis de verdade, aqueles com chapéu de caubóis, botas com esporas e calças jeans super justas. Se você pensar na cena, você imagina caubóis bonitos, limpinhos e cheirosos que entram e encantam todas as meninas do local, certo? Pois é. O problema é que a realidade nunca é tão bonita quanto a imaginação. Os caubóis de verdade tem camisas que fedem a suor, tem as calças suja de lama, e -- pra completar -- tem botas que passaram o dia inteiro imersas em cocô de cavalo (ou do que quer que seja). Não tem calça justa ou rostinho de top model que compense tanta matéria orgânica. E quando eles sentaram na mesa do meu lado, o cheiro de bosta era tão forte que eu não conseguia me concentrar. Fui obrigada a sair do Kind Coffee e me juntar aos turistas no Starbucks... 

Conclusão: durante as viagens eu tento experimentar coisas novas, mas minha vontade de apreciar a cultura local tem limites. Café ruim ou café bom com bosta de cavalo não dá!

domingo, 22 de julho de 2012

Altitude, Animais e Outras Aventuras de Verão




Nesse verão (no hemisfério norte), tenho andado nas alturas. Primeiro fui para a cidade do México, que fica a 2.200 metros do nível do mar, e agora estou no Parque Estes, em Colorado, que tem a mesma altitude. O lugar mais alto que eu visitei antes disso foi o Vale Sagrado dos Incas, no Peru, em 2002 (ou 2003, talvez). 

Naquela época eu não corria durante as viagens e a altitude não me afetou muito. Quando fui tentar correr na Cidade do México, todavia, entendi porque todo mundo ficava preocupado com nossa seleção jogando uma partida de futebol no Peru. Correr em lugares altos é super difícil. É como se você tivesse ganhado 20 kilos e estivesse sem fazer exercício há anos.

Para evitar ter a mesma sensação e para prevenir qualquer outro problema, resolvi procurar dicas de corredores amadores na internet. E aproveitei para buscar recomendações de locais apropriados para corridas perto do meu hotel. 

Para minha surpresa, descobri que a altitude era o menor dos meus problemas. O verdadeiro risco de correr ao ar livre aqui em Colorado são os alces. No site que eu achei as pessoas alertavam para o risco de um alce te perseguir e até te matar, se você não fosse cuidadoso. 

Imagina a cena:  Mariana saindo para correr livre leve e solta pelo parque e, de repente:




Ainda assim eu decidi ir. Afinal, todas as pessoas que colocaram avisos no website  tinham sobrevivido... Mas confesso que tive que pensar duas vezes quando vi esse sinal na entrada do parque: 

(Cuidado: Presença de Alces Agressivos)



Por que eu prossegui na corrida? Porque eu achei -- assim como todo mundo que acaba morto ou ferido -- que não ia acontecer nada comigo... "Famous last words", como eles dizem em inglês!

Confesso que o início da corrida foi bastante agradável e, para minha surpresa, a interação com os animais foi super amigável. Primeiro veio o Tico e o Teco, os personagens do desenho animado, ao vivo e a cores: 





 

  Depois eu vi um castor, que não era tão simpático como o Tico e o Teco, talvez porque ele já tinha achado comida e não estava esperando que eu arranjasse um lanchinho pra ele. 
 

E note que o rabo do castor não estava visível, o que me fez pensar se um alce não tinha comido "beaver tail" no lanche naquela tarde.   

Mas a surpresa veio mesmo no final, quando eu fui atacada por um Ganso Canadense. O ganso espalhou seu grupo pela pista de corrida e caminhada, e achou que o fato de que eu estava correndo por ali estava violando o direito dele de descansar no meio da pista. Eu, obviamente, não tive tempo de tirar uma foto e muito menos filmar o infeliz. Para quem não sabe o que é um ganso canadense, aqui está: 
 

Enfim, estou sã e salva, mas é no mínimo irônico que eu saia do Canadá só para ser atacada por um ganso canadense em Colorado... Definitivamente vou deixar minha contribuição no website dos corredores: só porque você não está no Canadá, não pense que está protegido dos gansos canadenses!

domingo, 8 de julho de 2012

A Vida dos Outros

Já que não estou tendo muito tempo de escrever sobre minha vida (vendendo móveis, encaixotando as caixas para mudança para os EUA, terminando os papers, e às voltas com as infindáveis despedidas de amigos...), recomendo que acompanhem outros dois blogs (além do blog da Dr. T).

O primeiro é uma nutricionista e sua irmã recuperando receitas tradicionais da cozinha brasileira. De dar água na boca! 

O segundo é de uma amiga que está se preparando para se despedir da sua cachorra, que completou 15 anos esse ano. Ainda está no começo, mas garanto que o blog vai ter ótimas histórias, pois a Sugar, como o nome indica, é uma simpatia. 

E não esqueçam o blog da Dr. T, que eu já recomendei antes (e que certamente deveria ter incluído "movers", pessoas que fazem mudança, na lista do post dessa semana). 

Divirtam-se com Maíra, Kate and Theresa. Volto já! 

PS - e quem não pescou a referência no título, assistam o filme. Imperdível!

terça-feira, 26 de junho de 2012

Girls just wanna have fun!

Essa semana o feminismo me atacou, de todos os lados, desesperadamente pedindo para entrar no blog. De fato, faz um tempo que eu não escrevo um dos meus bravados feministas , em prol de igualdade, contra discriminação, blá blá blá. Acho que feminismo ficou carente e resolveu aparecer na minha vida de todas as formas possíveis para ver se ele ganhava um espacinho aqui. Vai ganhar o espaço, como esse parágrafo denuncia. Mas, sinceramente, não estou com muita vontade de levantar a bandeira e pegar as armas de novo. Esse negócio de ficar tentando mudar o mundo dá muito trabalho... 

Aos 35 anos, acho que estou começando a economizar minhas energias para outras coisas, tipo um jantar com os amigos, ou um excelente livro, ou um blog post acompanhado de um bom vinho. Segue, portanto, um relato da minha semana inundada de feminismo, regado a Syrah do Valle de Aconcagua, Chile. 

Assisti na sexta-feira a nova animação da Pixar, Brave. A heroína da história é uma princesa que não quer ter um casamento forçado e prefere fazer "coisas de menino". Ela quer atirar de arco e flecha e andar a cavalo, ao invés de ficar bordando no castelo e aprendendo como usar os talheres à mesa. Ainda bem que alguém resolveu dar uma opção para as pobres crianças inundadas com princesas que usam rosa, ficam penteando o cabelo e esperando o príncipe encantado. 

A Riley agradece!



Só achei ruim que em Brave a heroína tem que passar o filme todo brigando com a mãe para conseguir de fato ser a heroína. Será que não dava para ela simplesmente ser descabelada, tem um vestido azul e sair pelo mundo lutando contra o mal, ou salvando o príncipe encantado?


Daí veio todo o debate sobre o artigo da Anne-Marie Slaughter - Why Women Cannot Have it All -- sobre o fato de que as mulheres não pode ter tudo (i.e. uma carreira bem sucedida e dedicação à vida familiar).



O artigo é longo, e quem tiver paciência e tempo para ler tudo por favor me conte o que ela diz. Eu só li a primeira página, onde ela argumenta que estamos vendendo para as "working mothers" (mães no mercado de trabalho) uma grande ilusão. 


Grande novidade! Não preciso de um artigo deste tamanho para saber disso. Basta eu olhar para as mulheres que viraram professoras de direito aqui em Toronto pra ver. A vasta maioria não tem filhos antes de ganhar tenure (estabilidade no cargo). Depois do tenure, para algumas só resta a opção de adotar, por causa da idade. Adotados ou não, os filhos reduzem drasticamente a produção acadêmica daquelas que embarcam na aventura, que não são todas. Enquanto isso, os homens estão lá tendo filhos e produzindo feito um loucos... 


Por isso que eu decidi que a melhor versão do feminismo que encontrei essa semana foi esse vídeo:







Afinal, depois de uma certa idade, a gente começa a se divertir e delega a tarefa de mudar o mundo para os outros. Boa sorte para a Anne-Marie e o pessoal da Pixar!



 

terça-feira, 19 de junho de 2012

Não Entendo Esses Americanos

O aeroporto da cidade do México fede. Tem cheiro de vômito. Eu não sei se eles usam algum produto de limpeza muito questionável, ou se eu dei azar de chegar na ala do check-in no exato momento que alguém tinha tido um acidente (que não estava visível). Mas o ponto é que eu estava com pressa para fazer o check-in e sair dali para um local mais arejado o mais rápido possível.
Não havia fila e eu fui direto para o balcão. O sujeito pegou meu passaporte e, antes de perguntar meu destino, começou a bater-papo com sua colega no balcão ao lado, que estava à toa e recebeu muito bem o convite para conversar. Eles estavam falando muito rápido para eu entender o que discutiam, mas claramente não era trabalho, pelas risadas dele e pelos gestos exagerados dela em resposta. Comecei a perder a paciência e fuzilar o sujeito com meu olhar, mas ele estava tão ocupado com a conversa que não notou.
Daí tirei minha caderneta da bolsa e comecei a anotar o nome dele, visível no crachá, para reclamar com a companhia. Ele imediatamente percebeu o que eu estava fazendo e prontamente se desobrou em gentilezas, tentando ser simpático. Mas era tarde demais. Minha paciência já tinha se exaurido há um tempo e eu fiz questão de cortá-lo a cada investida. Ser gentil agora não iria me dissuadir da idéia de reclamar com a companhia aérea sobre a falta de profissionalismo dele.
E daí ele tentou sua última cartada: imprimiu meu cartão de embarque e me mostrou que eu estava na classe executiva. Por um momento, ponderei minha ameaça de reclamação. Talvez eu até tivesse deixado o incidente passar batido depois dessa, exceto pelo fato que o sujeito estava tão preocupado em me agradar que esqueceu de checar para onde eu ia. Ele imprimiu apenas o cartão de embarque do primeiro destino, Texas, sem minha conexão para o destino final, Toronto. Ou seja, se eu não checasse isso, ia perder minha conexão com certeza… Depois de fuzilar ele com meu olhar novamente, pensando que tinha muita gente desempregada no México que faria aquilo muito melhor que ele, sai o mais rápido que pude daquela sala fedida, para bem longe da presença daquele sujeito incompetente.
Daí eu chego nos Estados Unidos e a interação é o exato oposto. Os funcionários da companhia não olham pra mim, nem se olham entre si. Ninguém fala com ninguém. Nenhum sorriso. Nenhuma gentileza. Tudo rápido e eficiente, mas sem valor nutricional para a alma. É como fast food. Tudo bem que a cultura Mexicana gera ineficiência – sendo o imbecil do check-in o exemplo extremo – mas devo conceder que é bastante agradável ser tratado com um pouco de cortesia e um sorriso de vez em quando.
E foi por isso que eu me assustei quando pedi comida no vôo de Texas para Toronto e a aeromoça discretamente acenou com a mão, em um gesto meio furtivo, falando para eu colocar o cartão de crédito de volta na bolsa. 


Parenteses para aqueles que não viajam há algum tempo: as empresas aéreas americanas não servem mais nada no vôo, a não ser na primeira classe. Se você estiver com fome, tem que comprar os snacks horríveis que eles têm. Como dizem em ingles, “they added insult to the injury”. Não bastava servir comida ruim. Agora a comida é pior do que era antes, e você ainda tem que pagar por ela! 


Os precavidos forram o estômago antes de embarcar, mas como eu não tive tempo pra comer algo no aeroporto, entre as conexões, só me restou a opção da comida paga do avião. E lá estava eu me preparando para pagar quando a aeromoça americana decide me dar a comida horrenda de graça.
Eu passei o resto do vôo especulando o que teria levado aquela senhora a me fazer aquela gentileza (ainda que seja comida horrenda, eu estava com tanta fome que classifica como gentileza…). Essas eram as hipóteses:
1)    Eu lembrava ela de algum parente com qual ela perdeu o contato há anos. Talvez uma filha que fugiu de casa para virar hippie. Ou uma neta, que se perdeu no mundo das drogas e nunca mais deu sinal de vida.
2)    Eu era a única pessoa no avião com o computador aberto e pilhas de papéis empilhadas, visivelmente estressada. Em contraste, a maioria dos passageiros estava indo ou voltando de férias, assistindo filmes nos seus iPads, lendo seus livros no Kindle, ou usando o método antiquado -- e já quase em completo desuso -- de entretenimento: falar com a pessoa no assento do lado. Talvez ela tenha ficado com pena de mim, ou se identificado comigo – afinal nós éramos as únicas pessoas dando duro ali.
3)    Eu fui a última pessoa que ela serviu, e ela fez a gentileza porque as três coisas que eu tinha escolhido no menu não estavam disponíveis. Daí tive que me conformar com o que tinha e ela resolveu me dar um brinde, como cortesia da empresa.
Ou seja, não sei se ela fez isso por ela (1), por mim (2), ou pela empresa (3), mas o fato é que todas as minhas tentativas de interagir com ela depois disso, para agradecer a comida, ela reagia como se não soubesse do que eu estava falando. Ou seja, a reação dela não correspondia com nenhuma das hipóteses.
São nesses momentos que eu me sinto bastante latino-americana. Talvez eu possa não gostar delas, mas ao menos eu sei as regras de interação e como elas funcionam. E o bom da interação latino-americana é que o objetivo é sempre muito claro. O exemplo do atendente mexicano ilustra bem isso: ele queria ganhar minha simpatia e evitar o problema com o chefe. Outro exemplo foi um comissário de bordo brasileiro que me trouxe um sundae com calda de morango diretamente da primeira classe. Por que? Porque eu era a única brasileira em um vôo de Israel para Nova Iorque e o mineiro ficou tão feliz de encontrar uma candanga, no meio de tantos gringos, que resolveu confraternizar… Enfim, seja pela razão que for, com os latino-americanos você com certeza vai ficar sabendo qual é a razão e porque você está ganhando algo de graça...
Mas, ao contrário dos latino-americanos, a aeromoça norte-americana me deixou lá sem saber o que estava acontecendo! Só depois da diarréia que eu tive no dia seguinte ao vôo, encontrei uma melhor hipótese: a comida que ela me deu era a pior opção, dentre tudo que havia de horrendo naquele vôo. Portanto, ela não apenas se sentiu envergonhada de me cobrar, mas ela também não achou que tinha me feito favor algum de me servir aquilo.
E depois de passar uma semana com diarréia, eu decidi que assumir minha "brasilidade" é a melhor arma contra esse capitalismo selvagem norte-americano. Vou levar meu frango com farofa – sem salmonela – no próximo vôo e se algum americano reclamar, eu rodo a baiana na cabeça deles!