sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Em busca do seu verdadeiro eu




Já li vários artigos de que estamos em um era de consumo personalizado. Bastar olhar para o iPhone que todo mundo carrega hoje em dia. É o mesmo aparelho, mas nenhum aparelho é igual a outro. A idéia de que podemos baixar applications que atendem às nossas necessidades torna cada um dos iPhone que circula por aí uma coisa única. 

A mesma revolução aconteceu com o modo como consumimos música hoje. Aqui nos Estados Unidos há um programa gratuito chamado Pandora, no qual basicamente você seleciona o tipo de música que você gosta e eles tocam para você, como uma rádio. A diferença entre o Pandora e uma rádio é que você pode indicar se gosta ou não de uma determinada música e, com base nas suas seleções, eles ajustam as seleções futuras para melhor refletir seu gosto. Portanto, duas pessoas podem escolher uma rádio chamadas "clássicos do jazz", mas se uma indicar que odeia o Chet Baker e a outra indicar que adora, as duas passam a ouvir tipos bem distintos de jazz.

Nesse mundo, o que fazer com produtos que são mais padronizados, como uma xícara de café? A Starbucks personaliza para você. Sim, essa é a grande sacada da rede. Você quer um mocha (leite, café e chocolate)? Mas você gosta do seu mocha com leite desnatado, e com dois shots de café espresso ao invés de um, e com chantilly em cima mas sem a calda de caramelo? Só precisa avisar o caixa, e a Starbucks produz um mocha igualzinho ao que sua avó faria para você (ou talvez até melhor, pois avós podem achar que leite desnatado não é nutritivo, ou que dois shots de espresso vão fazer mal para seu estômago, e podem boicotar seu mocha sem você saber...). 

Para separar o que é de quem, o Starbucks adotou um sistema no qual eles usam seu nome para identificar seu café. Assim, além da bebida personalizada, você tem um copo personalizado e o atendimento é personalizado, pois o barista grita seu nome quando sua bebida está pronta. O problema é que na maioria das vezes o nome sai errado. Um grupo de pessoas criou um website para postar as confusões feitas pelos caixas (aqui). E a moda parece que pegou, pois outros sites fizeram a mesma coisa (veja aqui e aqui e aqui). 

Eu mesma já tinha desistido de conseguir um copo com meu nome (já veio Mary, Maryanne, Mary Anna e todas as variações possíveis), quando ontem, para minha surpresa, fui contemplada com o copo que está aqui na foto. Quase guardei o copo para posteridade... 

Agora, diria meu leitor, só falta achar o meu nome na lata de Coca-Cola. Afinal, como uma empresa que entende seu mercado consumidor, a Coca-Cola entendeu que a experiência de consumo personalizada é a moda agora. 

O problema é que (1) eu não tomo refrigerante, (2) eu não acho que minha experiência fica personalizada quando o líquido é o mesmo para todo mundo, mas tem meu nome na latinha e (3) se eu quisesse mesmo uma latinha com meu nome, tem um application que personalizada a latinha e cria uma foto para você postar no facebook (não basta personalizar a experiência, mas tem que compartilhar a experiência personalizada com os amigos também).



Portanto, se você ainda não encontrou seu verdadeiro eu na Coca-Cola, aqui vai a solução para todos seus problemas. Eu, por outro lado, encontrei meu verdadeiro eu na Starbucks ontem e agora estou em paz comigo mesma.

Um comentário:

Claudio disse...

certamente quem anotou seu nome no copo foi um funcionário brazuca ...