quarta-feira, 16 de junho de 2010

América Latina, essa ilustre desconhecida - Parte I

A América Latina é sempre uma caixinha de surpresas. O Brasil, sozinho, sempre me surpreende, mas nem sempre positivamente.

Cheguei no Brasil quando a seleção já estava na África do Sul, se preparando para o primeiro jogo. Achei impressionante como o noticiário da globo passou os primeiros 15 minutos falando sobre a rotina dos jogadores (o que eles comeram, quantas horas dormiram, se sairam ou não do hotel) para depois dedicar meros 5 minutos ao fato de que o crescimento do PIB brasileiro atingiu 9%. Um crescimento econômico deste nível não é pouca coisa: a China é um dos poucos países que atualmente consegue ter (e manter) esse nível de crescimento. E uma pergunta importante é como conseguimos chegar nesse patamar, e se será possível mantê-lo. Mas não era esse o foco do noticiário. Depois de meros 5 minutos sem oferecer qualquer informação relevante, o jornal voltou para a África do Sul e gastou mais uma quantidade valiosa de tempo com os jogadores, apesar de não se ter qualquer notícia sobre os mesmos.

Depois disso, a segunda coisa que me surpreendeu foi a excessiva preocupação com a aparência. Em especial as mulheres (mas os homens não ficam muito pra trás). Eu nunca fui muito de notar roupas e apetrechos. Ultimamente, todavia, tenho prestado mais atenção nisso. E foi com espanto que vi todas as pessoas no avião e depois na Paulista com roupas todas combinando, acessórios de última moda, com cabelos cortados e arrumados. Daí quando a pessoa abre a boca, ouve-se ou um português horrível, ou uma conversa absolutamente desinformada sobre algo completamente irrelevante. É absolutamente incrível a inversão de prioridades nesse país. Falar corretamente e conversar sobre assuntos sérios parece ser coisa de gente antipática e prepotente. Sorrir bastante, fazer piadinhas infantis e comprar roupas caras é a ordem do dia! De vez em quando, ouço algum comentário sobre como os americanos se vestem mal. Eu não me importo. Pelo menos eles conseguem ter uma conversa minimamente inteligente...
Como não frequento desfiles de moda (e para tornar tudo ainda pior, sou uma acadêmica), em geral o que a pessoa pensa me parece mais relevante do que a forma como ela está vestida.

Vale dizer que em ambos os países muitas pessoas só parecem estar preocupadas em mostrar que são classe média ou alta. A diferença é que no Brasil você mostra isso com roupas, enquanto nos EUA você mostra isso com sua sofisticação intelectual.
E não é difícil entender por que. Qualquer um consegue comprar roupas caras no país do consumo, onde o crédito é abundante e o sistema financeiro tem o maior prazer de acolher a todos sem discriminação (desde que gerem lucros!). No Brasil, apesar da recente inclusão das classes D e E na economia (graças ao fim da inflação e à maior oferta de crédito), os pobres ainda estão usando as benesses do capitalismo para comprar fogões, geladeiras e TV. Portanto, a classe média ainda consegue se diferenciar com roupas e carros. Além disso, em um país onde corrupção rola solta, dinheiro é poder, infelizmente. Portanto, mostrar que você tem dinheiro ainda ganha mais pontos nesse meu Brasil brasileiro.

Por fim, o Brasil me impressionou pela quantidade de obras públicas. Na minha última visita, estavam terminando a expansão da marginal. Agora a bola da vez é o Rodoanel. O trânsito de São Paulo continua parado, e eu não vi qualquer melhora, apesar das grandiosas e vistosas obras do governo do estado. Por que? Acho que uma boa explicação foi uma pesquisa que eu vi na conferência em Yale. A pesquisa mostrava que em países com altos índices de corrupção, há muitas obras de infraestrutura e poucas políticas públicas. Isso ocorre porque não há incentivos para se resolver o problema, mas sim para beneficiar alguns poderosos (como as empreiteiras) para conseguir apoio político, em geral financeiro, para as próximas eleições. Além dos políticos embolsarem um tiquinho também. E bem ou mal o eleitorado vê a obra e acha que alguma coisa foi feita. Ou seja, se eles tivessem gastado metade do que gastaram com a expansão da marginal com uma equipe de especialistas, hoje provavelmente teríamos um plano para resolver o problema de transporte em São Paulo cujo resultado teria sido mais efetivo. Porém isso não dá ibope, nem dinheiro para campanha...

Ainda sobre o trânsito em São Paulo, acho que também não ajuda nada o fato de que a classe média e alta faz questão de andar de carro. Carro é símbolo de status. Portanto, política que desafoga o trânsito ganha apoio desse povo. Todavia, política que melhora o transporte público não tem ibope junto às classes mais abonadas, que querem se diferenciar das classes D e E. Essa atitude também não ajuda muito.

E assim vai o Brasil, se afundando cada vez mais nesse buraco que eles mesmo estão cavando pra se enterrar. E quando eu achei que já tinham cavado o mais fundo possível, eu chego aqui para descobrir que infelizmente eu estava errada...

domingo, 6 de junho de 2010

Um Aniversário Acadêmico

Recebi um convite para apresentar um dos meus papers em uma conferência em Yale no dia do meu aniversário. Quando eu recebi o convite, pensei que para qualquer pessoa normal um convite desses não ia ser bem recebido. Afinal, quem quer ficar trancado em uma sala com acadêmicos discutindo papers no seu aniversário? Para mim, todavia, o convite foi um presente. E eu explico porque.

A conferência é um encontro anual de pessoas que trabalham com uma metodologia de pesquisa chamada Direito e Economia (“Law and Economics”). Essa metodologia importa conceitos e métodos de análise da economia para tentar explicar fenômenos jurídicos. Por exemplo, o Direito e Economia afirma que as pessoas violarão a lei com maior frequência se os benefícios da violação forem maiores que seus custos. Esses custos são calculados pela sanção, multiplicada pela probabilidade de ser sancionado. Traduzindo: é mais provável que um motorista cruze um sinal vermelho se a multa for 5 reais, do que se a multa for 5.000 reais. Todavia, se a chance de ser multado for inexistente (probabilidade zero), o valor da multa não faz a menor diferença, pois violar a lei não tem qualquer custo e pode gerar benefícios (chegar mais cedo em casa, evitar assaltos, etc). Nesse caso, é muito provável que os motoristas cruzem o sinal vermelho.

Uma das discussões que tivemos na conferência, à luz desse pressuposto, é o fato de que a legislação anti-corrupção em muitos países não tem sanções proporcionais ao benefício obtido pelo oficial corrupto. Qual o resultado? As sanções que existem coibem corrupção para pequenas quantias, mas as pessoas continuam a se apropriar indevidamente dos recursos fiscais do estado em grandes quantias. Devemos concluir, portanto, que aumentar a pena reduziria os níveis de corrupção? Não necessariamente, pois a efetividade da solução depende da probabilidade da pessoa ser descoberta e punida, o que é baixa em muitos países. Devemos concluir portanto que os países como o Brasil deveriam investir mais na polícia e orgãos de investigação para garantir que violadores da lei sejam punidos? Não necessariamente. Monitorar e punir as pessoas é custoso, e talvez o estado deva fazer uma análise de custo-benefício antes de investir mais recursos para garantir a efetividade da aplicação da lei. Por que? Porque pode ser que o estado acabe gastando mais dinheiro com essas punições do que o dinheiro que estaria perdendo deixando agentes corruptos passarem incólumes. Portanto, antes de aumentar penas ou investir mais em operações especiais da polícia federal precisamos ver se esse é de fato o melhor uso dos recursos públicos.

Essa e outras discussões interessantíssimas foram os tópicos dos papers que discutimos nos dois dias de conferência. Mas além dos papers a conferência também houve três jantares deliciosos, em restaurantes de primeira, com conversas informais tão interessantes quanto os papers. Um exemplo: sentei do lado de um professor de uma universidade Americana que estava indo para o Brasil nos próximos meses. Ele me fez várias perguntas sobre o Brasil no jantar e, em um determinado ponto, chegamos no plebiscito de 1992. Expliquei para ele que os brasileiros tiveram que escolher entre três opções: monarquia parlamentarista, república parlamentarista, ou república presidencialista. Ele ficou estupefado com a idéia de um país pudesse estar seriamente contemplando a possibilidade de virar uma monarquia em pleno século XX. Ele perguntou quais eram os argumentos para oferecer essa opção no plebiscito. Falei que eu era pequena naquela época, e provavelmente não tinha nenhum tipo de sofisticação intelectual para entender os debates. Mas eu lembro que várias pessoas diziam que se nós já estamos sustentando a família real, é melhor colocar eles pra trabalhar. Ele riu e falou: " Se vocês não querem mais sustentar a família real a solução é simples: parem de sustentar a família real. Vocês não precisam mudar todo o regime político do país pra resolver esse problema".

Isso nos levou a tentar imaginar por que razão a monarquia foi incluida no plebiscito. A hipótese mais interessante saiu a seguinte conversa. Ele perguntou se o Brasil era presidencialista porque o presidencialismo venceu o plebiscito. Eu disse que sim. Daí ele me perguntou se muitas pessoas tinha votado para monarquia. Eu falei que não lembrava os percentuais, mas tinha sido um número significativo e surpreendentemente alto para um plebiscito no século XX. Daí ele perguntou se havia alguma possibilidade das pessoas terem inserido a opção monarquia parlamentarista apenas para garantir que o presidencialismo venceria. Como assim? Perguntei. Ele explicou: se as escolhas fosse apenas duas, presidencialismo ou parlamentarismo, por exemplo, talvez o parlamentarismo ganhasse porque 60% das pessoas preferiam parlamentarismo e apenas 40% escolheriam presidencialismo. Todavia, ao inserir uma terceira opção (monarquia), que também era parlamentarista, o pessoal que desenhou o plebiscito pode ter dividido os votos parlamentaristas. Por exemplo, se 21% votou para monarquia, e 39% votou para republica parlamentarista, o presidencialismo pode ter ganhado com 40% simplesmente porque a maioria parlamentarista estava dividida. Achei a hipótese interessante e preciso ver o percentual e depois ver se alguém já investigou isso. Mas mais do que especular sobre a história política do Brasil, o propósito d a história é mostrar como toda a conferência foi uma série de coisas intelectualmente estimulantes, do início ao fim.

Ainda assim, eu imagino que pessoas normais provavelmente iam preferir não passar o dia do aniversário delas trancada numa sala com acadêmicos discutindo corrupção. E acho que parte da explicação pra isso pode ser encontrada em um conceito econômico interessante chamado custo de oportunidade. Qualquer coisa que as pessoas fazem tem um custos: por exemplo, ir até a conferência implica custos de transporte. Mas ainda que as pessoas que te convidaram cubram esses custos (como normalmente acontece), ir para conferência tem um custo de oportunidade, que é o custo de deixar de fazer algo que eu teria oportunidade de fazer caso não tivesse ido para a conferência. Portanto, imagino que para a maioria das pessoas ir para a conferência implica altos custos de oportunidade, pois elas conseguem imaginar várias outras coisas que elas prefeririam fazer, ao invés de ficar trancadas em uma sala das 9 da manhã as 6 da tarde discutindo “direito e economia”. Algumas pessoas iam preferir dormir até tarde, outras iam preferir passar o dia na praia, outras iam preferir virar a noite anterior se embebedando em uma boate, dançando até o sol nascer. Portanto, para elas o custo de oportunidade de ficar na conferência seria altíssimo. Em contraste, a probabilidade de eu preferir (ou de fato tentar) fazer qualquer uma dessas coisas é minima. Portanto, ir para a conferência teve um custo de oportunidade quase zero, e gerou muitos benefícios pra mim. Por isso foi um presente!

domingo, 9 de maio de 2010

Dia das Mães

Sou péssima pra comprar presentes. Não faço a menor idéia do que comprar e sempre acabo dando livros. Acho que minha absoluta incapacidade de escolher presentes está ligada ao fato de que eu não sei fazer compras. Portanto, todo mundo que me conhece sabe que eu nunca apareço com um presentinho casual (aquele do tipo "vi isso em uma loja e achei a sua cara"). Raramente vou em lojas e quando eu vou -- normalmente por absoluta necessidade -- não consigo ficar olhando coisas e achando "presentinhos" para pessoas. Portanto, a não ser que você queira ganhar um livro, não me convide para sua festa de aniversário...

Há ocasiões, todavia, em que não dá pra escapar. Natal, por exemplo, exige presentes. Por sorte, minha família é pragmática e decidiu substituir o troca-troca de presentes por um amigo oculto. Portanto, o que poderia ser um pesadelo na face da terra pra mim (i.e. ter que escolher presentes pra todo mundo da família, sem poder entrar em uma livraria e sair com 25 livros), se tornou uma atividade bastante simples. Após o sorteio, usamos um website para divulgar nossa "wish list" e basta ver o que seu amigo oculto pediu e comprar. E voilá. Simples assim.

(um pequeno parênteses pra declarar que apesar das divergências, ou talvez por causa delas, minha família é o máximo!)

Entretanto, há ocasiões em que não dá mesmo pra escapar, como dia das mães. Aqui não tem amigo oculto pra me salvar. Minha salvação, nos últimos anos, tem sido uma parceria estratégica com minha pequena grande irmã (nota de rodapé: o título pequena grande irmã se deve ao fato de que minha irmã é mais nova -- daí o pequena -- e é uma versão aprimorada de mim -- daí o grande). Nessa parceria, concordamos em dividir o valor de um presente comum que, obviamente, é minha irmã quem escolhe. E assim fica todo mundo feliz. Minha mãe ganha um presente bom. Minha irmã fica feliz porque juntando forças conseguimos comprar um presente mais caro e melhor do que os presentes que compraríamos sozinhas. E eu fico extremamente agradecida com o fato de que eu não tenho que passar pelo desespero de encontrar um presente e também não entulho a estante da minha mãe com mais um livro.

O problema é que esse ano não conseguimos coordenar nada. Acho que tanto eu quanto minha irmã estamos tão ocupadas que nem deu sequer tempo de cogitar a possibilidade de uma potencial parceria. E eu fiquei aqui, sozinha, com a tarefa de pensar em um presente legal pra minha mãe. E eu queria evitar dar o quinquagésimo sexto livro pra ela. Fiz uma lista de potencial coisas. Pensei que talvez ela gostasse de uma cesta de café da manhã, alguma roupa, ou quem sabe um bichinho de estimação. Mas acordei na quinta-feira e me deparei com uma lista do que não comprar estampada na segunda página do jornal. E a lista incluia tudo que eu havia pensado, e tudo que eu potencialmente poderia pensar, caso desistisse de comprar o que tinha pensado.

O colunista Vinay Menon, do Toronto Star, sempre tem coisas interessantes pra dizer. Portanto, por mais que eu esteja sem tempo, sempre dou uma olhada na coluna dele. E justo na quinta-feira, quando eu estava me preparando pra comprar o presente, ele vem com uma lista de 10 presentes que nenhuma mãe no mundo iria gostar. A lista começava com equipamentos de ginástica, o que não seria nunca um presente adequado pra minha mãe, que tem aversão a esportes. Pulei para o segundo: cesta de café da manhã. Como não? O colunista explicava que essa era uma tradição que fazia sentido quando as mulheres estavam sozinhas encarregadas das tarefas domésticas, incluindo cozinhar. A cesta era, portanto, a libertação dos escravos, ainda que por algumas horas do dia somente. Hoje em dia, todavia, com as tarefas da casa sendo igualitariamente divididas entre homens, mulheres e crianças, o ritual perdeu o significado. Além disso, o colunista questiona a qualidade do café, dos biscoitos e das frutas dessas cestas. E, de fato, acho que várias mães prefeririam ter preparado o café pessoalmente. Risquei a cesta da minha lista.

Terceiro item: coisas para o lar. O colunista nem se deu ao trabalho de explicar. E eu nem me dei ao trabalho de questionar. Até eu sei que esse é um péssimo presente. Quarto item: um bilhete de loteria. O colunista explicou que as chances de uma pessoa ganhar são mínimas. E minha família já aprendeu isso no Natal passado. Ainda que minha mãe tenha colocado um comentário esperançoso no post sobre o bilhete de loteria, acho que ela não ia ficar feliz com um presente de dois reais... Quinto item: peças de roupas estranhas e aleatórias. De fato, o colunista tem razão. Se eu tentar comprar roupas para minha mãe, não há descrição melhor do que vou conseguir comprar. Algo estranho. Mais do que isso: algo absolutamente aleatório. Mais um item fora da minha lista. Sexto item: um cartão eletrônico. Segundo o colunista, não há nada pior. Pra mim não há nada pior do que não achar nada pra dar de presente, e ainda não poder mandar um cartão eletrônico no dia das mães, simplesmente porque eu não sou organizada o suficiente pra lembrar de mandar o cartão de verdade com antecedência. Decido que talvez ligar seja uma melhor idéia, mas ainda falta o diabo do presente...

E agora faltavam somente quatro items na lista do colunista e apenas um na minha lista, o animalzinho de estimação. O colunista elimina sais de banho e ferramentas de jardinagem no sétimo e oitavo itens, e eu pulei a explicação porque minha mãe não tem um jardim ou uma banheira. Nono item, animal de estimação. Pronto. Lá se ia o último item da minha lista. E a explicação do colunista fazia sentido: depois de dar tanto trabalho pra sua mãe, você quer dar ainda mais trabalho pra ela agora, quando ela conseguiu se livrar de você? Bom ponto. E essa é a mesma razão pela qual ele descartou plantas, como o décimo item da lista. Depois do trabalho todo que a gente dá como crianças, mesmo regar uma plantinha todo dia ia ser meio que um presente de grego...

Depois de ler a coluna, não sabia se sentia alívio ou desespero. Por um lado, o colunista me salvou de fazer uma burrada. Por outro, estava eu, há três dias da data, sem nenhum presente pra dar pra minha mãe. E o mais irônico é que dois dias antes eu tinha recebido uma caixa pelo correio, com vários presentes que minha mãe mandou. Diferentemente de mim, minha mãe sabe comprar presentes. Ao invés de cestas de café com coisas ruins, ela me mandou café brasileiro e deliciosas sobremesas de banana para diabéticos. A caixa tinha também peças não aleatórias de roupa que cairam como uma luva em mim e combinam com várias peças do meu guarda-roupa (que é na maior parte responsabilidade, ou devo dizer mérito, da minha mãe). Ao invés de "coisas do lar", minha mãe me manda toalhas lindíssimas, porque ela sabe que as últimas que ela me deu estão usadas e ela também sabe que eu não saí pra comprar toalhas novas. Ela ainda me mandou um sapato extremamente confortável, que é perfeito pra eu ir trabalhar, pois minha mãe sabe que não há sais de banho ou kit de beleza para os pés que substitua um bom sapato. Por fim, minha mãe fez uma seleção super legal de revistas com um monte de matérias interessantes sobre o que está acontecendo no Brasil. Ficar sabendo dos debates brasileiros, em especial os que envolvem políticas públicas bate, de longe, qualquer livro...

Decidi que qualquer tentativa de retribuir o presente ia ser em vão. Portanto, minha mãe vai ganhar: (i) mais um livro, (ii) toda minha admiração por essa capacidade incrível de escolher presentes e tomar conta de mim apesar dos 10.000 quilômetros de distância e (iii) um post para que ela saiba que se eu soubesse como fazer isso ela também estaria recebendo uma caixa cheia de presentes agora...


quarta-feira, 5 de maio de 2010

Não estou de férias

Todo mundo acha que quando as aulas acabam, eu fico em casa de pernas para o ar. Quisera eu que fosse assim. Quando as aulas acabam, normalmente eu tenho uma tonelada de trabalho pra fazer, pois todos os meus projetos de pesquisa estão atrasados e, além disso, tenho que preparar papers para conferências. Mas antes disso, eu preciso corrigir todas a provas e trabalhos dos meus alunos. E é isso que estou fazendo desde sexta-feira passada.

Alguns dos meus colegas dizem que essa é a pior parte do trabalho. A idéia é que corrigir provas é extremamente entediante porque você fica lendo a mesma coisa milhares de vezes e não aprende nada novo. Em contraste, preparar aulas, dar aulas ou fazer pesquisa sempre traz alguma coisa nova, algo que você não sabia. Ou seja, sempre tem algo intelectualmente estimulante. Acho que o que meus colegas argumentariam é que corrigir provas não tem absolutamente nada de estimulante.

Eu não sei se eu concordo. Acho que todas as partes do trabalho tem coisas boas e coisas ruins. No caso das provas, por exemplo, eu sempre acho interessante ver se os meus alunos entenderam o que eu estava tentando explicar na sala de aula. E é curioso ver como minha impressão de sucesso nem sempre corresponde com a realidade. Às vezes, eu saio da sala de aula achando que dei uma das melhores aulas do semestre. Fui clara, expliquei tudo coerentemente, e respondi todas as perguntas. Daí chega na prova e eu vejo que ninguém entendeu absolutamente nada do que eu estava falando.

Outras vezes, eu acho que minha aula foi o pior desastre da história da humanidade. A apresentação foi confusa, eu não tinha certeza do que estava falando, e os alunos tinham perguntas que eu não sabia responder. Daí é uma surpresa completa ver que o tópico daquela aula confusa e desastrosa ficou extremamente claro pra todo mundo e as respostas estão excelentes.

Enfim, dar aula é como criar filhos: você faz o melhor que pode e torce pra dar tudo certo, se lembrando que você tem muito pouco controle sobre o resultado. Há, todavia, uma diferença: com filhos você não precisa tentar explicar o que deu certo e o que deu errado no processo. Mas como professor universitário, você precisa. Para eu ganhar estabilidade no meu cargo, preciso preparar um dossiê de ensino (e outro de pesquisa), no qual eu tenho que explicar qual é minha filosofia de ensino, e como eu implemento essa filosofia na sala de aula. Ou seja, eu preciso explicar como que eu acho que se dá o processo de aprendizado, e como eu criei métodos para efetivamente ajudar meus alunos a absorver o conteúdo da matéria.

E, sinceramente, eu não sei qual é minha filosofia de ensino. E quando eu olho para as provas que eu estou corrigindo, eu tenho certeza absoluta de que eu não tenho qualquer controle sobre o meu "método". Ou seja, meu método funciona, mas eu não sei nem quando nem porque.

Corrigir provas é, portanto, uma janelinha que me permite olhar para essa caixa preta que é o processo de aprendizado e ficar ao mesmo tempo maravilhada e perplexa com ele. As provas são, na verdade, o único momento em que eu consigo ter algo de concreto para avaliar o que deu certo. Por isso que eu discordo dos meus colegas: acho que há muito de estimulante nas provas. Talvez meus colegas fiquem entediados porque eles sabem de fato o que estão fazendo. Quem sabe depois que eu preparar meu dossiê de ensino eu consiga chegar nesse estágio iluminado de ter total e completo controle do que meus alunos estão aprendendo na sala de aula e consiga prever exatamente o que vou ler nas provas. Acho que daí eu vou, de fato, ficar entediada. Vou, portanto, aproveitar ao máximo meus últimos dias nesse lugar divertido onde ler provas é super interessante.

Em qualquer caso, vale ressaltar: por mais estimulantes que sejam as provas pra mim, isso não se parece nada com férias, definitivamente.


segunda-feira, 3 de maio de 2010

Nem qualidade nem mérito

por EDUARDO PORTELLA



Desde a redemocratização, indiferente à urgência da reforma política, ampla, geral e irrestrita, a educação não conseguiu avançar


ESTÁ MAIS do que comprovado que o projeto de um Brasil maior jamais se efetivará sem a educação. Sem ela em todos os níveis, porque nela todos são prioritários. Certa vez, tentei revalorizar o pré-escolar e não encontrei o apoio que esperava dos pedagogos de plantão e dos ombros coroados, que me convidaram para abrir e renovar, na forma da lei, a experiência, o saber e a imaginação.

Contra-argumentava que, mesmo não sendo tão sistêmicas, essas instâncias inaugurais e a família decidiam a sorte do sistema. Corrigiriam os números insuportáveis de repetência e de evasão pública e privada. Mas essa é outra história, felizmente perdida no tempo.
O grave é que, desde a redemocratização, indiferente à urgência da reforma política, ampla, geral e irrestrita, a educação não conseguiu avançar. Chegou a tragar alguns nomes qualificados. As salas de aula inadequadas, a falta de bibliotecas atualizadas e os materiais escolares fraudados foram prosperando, em ritmo bem mais veloz do que o país. A autossuficiência, que é própria da ignorância e da vaidade, não se fez de rogada. O capítulo do salário docente vem sendo verdadeira aberração.

Tornam-se cada vez mais necessários os enlaces da consciência dialógica. Volto a insistir: educação sem qualidade não é educação, é caso de polícia (nunca pensei que um dia na minha vida, tão a contragosto, viesse a recorrer à polícia). Hoje se fala em qualidade, sobretudo aqueles sonegadores, como se a qualidade não fosse um valor diferenciado e socialmente encarnado.
Como se fosse apenas um slogan eleitoral. Precisamos urgentemente repensar o Brasil, com Celso Furtado, Raymundo Faoro, Carlos Guilherme Mota, Samuel Pinheiro Guimarães.
Chega de amadorismo, de palpites desarticulados. A qualidade e o mérito, avaliados com os vícios do sistema, reprodutor de privilégios intermináveis, nunca reformam ou transformam. Apenas reforçam as iniquidades persistentes.

Será que essa gente não se cansa de ser os gigolôs do que seriam políticas públicas? É certo que a aliança de ética e política sempre foi uma aspiração fracassada. Mas já é hora de dar um basta. Esse esforço conjugado de renascimento, para ser realista, terá de transpor o limite partidarista.
Falta, não me canso de repetir, educação à cultura, e cultura à educação. Edgar Morin, que havia denunciado a natureza humana como paradigma perdido, ao predicar pela inclusão de um elenco de sete saberes nos sistemas de educação conhecidos, que vão do liceu à universidade, reclama agora a compreensão crítica em uma trajetória que vai do conhecimento até o antropoético.

A racionalidade aberta, que impulsiona o entendimento da complexidade, estaria ausente dos nossos currículos escolares, e mais amplamente acadêmicos, apontando para o vazio inaceitável. Tudo isso parece igualmente estranho a nossos gestores educacionais e culturais.
Somente a interdisciplinaridade pode abrir o que ficara guardado na caixa-preta da história.
Na Espanha, que dispõe de uma tradição educacional mais forte que a nossa, com um volume de ofertas pedagógicas bastante amplo, o ministro da Educação acaba de apresentar à discussão do governo, dos especialistas e da sociedade um "pacto educativo", destinado a corrigir as inadimplências do sistema.

É um pacto transpartidário, que reúne governo e oposição por uma política de Estado, com 148 ações específicas, mobilizando múltiplos agentes sociais. Como a brasileira, a sociedade espanhola é sensível a esse tipo de mudança, imune à barganha partidária e provavelmente à sujeira dos candidatos de "ficha suja".
A educação, se bem planejada e executada, poderia certamente promover uma limpeza geral, e deixar o processo pedagógico fluir. E o Brasil também.

EDUARDO PORTELLA, 77, escritor e professor emérito da UFRJ, membro da Academia Brasileira de Letras, é presidente do Comitê Caminhos do Pensamento e do Fundo Internacional para a Promoção da Cultura, da Unesco. Foi ministro da Educação, Cultura e Esportes (governo João Figueiredo) diretor-geral-adjunto da Unesco (1988-1993) e presidente da Conferência Geral da Unesco (1997-1999).


Publicado na Folha de São Paulo de hoje, com a seguinte ressalva: Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br

domingo, 2 de maio de 2010

Minha vida secreta

Tenho uma vida tão secreta, que nem eu sabia que eu tinha. Descobri hoje que sou uma grande empreendedora de estudos da Bíblia, com direito a website e tudo. A descoberta aconteceu porque eu decidi escrever no blog, e quando digitei o endereço apareceu isso aqui.

Se vocês prestarem atenção, o meu website tem um "S" a mais entre o blog e o pot. O website, portanto, é http://www.marianaemtoronto.blogpot.com/

E vale notar que o anúncio do website é o seguinte: "se VOCÊ tem QUALQUER preocupação com o futuro do planeta terra + eternidade, é fundamental que você leia essa página."

Acho que é fundamental que você leia meu blog se você, em contraste, tiver preocupado com coisas mais mundanas e menos metafísicas...


O que há de melhor pra se fazer no domingo...



do que acordar as 6 horas da manhã e colocar os bofes pra fora? Foi isso que os ávidos corredores de Toronto e São Paulo fizeram hoje.

Enquanto 15.000 Torontianos corriam a famosa Sporting Life (10Km),




20.000 paulistanos ousaram correr a maratona de São Paulo (42Km).


E como não podia deixar de ser, nosso clube de corrida se juntou aos corredores de Toronto (não consegui convencer o pessoal a passar um fim de semana em São Paulo). Confira o website em breve para um resumo da corrida.

E para quem está curioso: meu tempo foi 58 minutos e 57 segundos. Muito melhor que minha performance na corrida da Nike em outubro, que foi 1 hora e 11 minutos...

PS- Na verdade, meu tempo foi 55 minutos e 57 segundos... Valeu, T!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Diários de uma diabética - Parte 1

Há um ano fui diagnosticada como diabética. A surpresa não foi tanto descobrir que eu tinha a doença - eu tinha predisposição desde os treze anos de idade - mas sim descobrir quão pouco eu sabia sobre a doença. Cresci com um pai diabético. Por causa disso, achei que eu tinha bastante familiaridade com a dieta a seguir e como controlar meus níveis de açúcar. E como eu tinha predisposição, sempre fui alertada sobre os sintomas de doença por médicos, pais e todo tipo de pessoa que resolvia desempenhar o papel de educador de vez em quando. Apesar de tudo isso, tanto a doença quanto todas as descobertas que se seguiram foram grandes surpresas.

Decidi ir ao médico porque minha cabeça tinha parado de funcionar. Minha memória foi indo aos poucos para o brejo até o ponto em que, ao chegar em casa à noite, eu não fazia a menor idéia do que tinha acontecido no meu dia. Era um grande esforço lembrar, e ainda assim o registro era cheio de buracos. Minha concentração se esvaiu aos poucos também. Ler foi ficando cada vez mais difícil e exigia cada vez mais tempo.

O ápice desse processo de perda de mémória e concentração foi um dia em que cheguei no escritório de manhã, abri minha caixa de emails e comecei a responder um email urgente. Dai eu me distrai com alguma outra coisa -- não sei se o telefone tocou ou se alguém entrou na minha sala -- e eu fui ler um livro. Uma hora e meia depois, eu volto para o computador e encontro a mensagem de email aberta, escrita até a metade, e abandonada à sua própria sorte. E eu não me assustei porque achei que tinha terminado. Eu me assustei porque a mensagem simplismente tinha se esvaído da minha cabeça e durante aquela uma hora e meia foi como se ela não existisse. Foi nesse dia que eu decidi ir ao médico.

Cheguei no médico com um sintoma e um pedido: meu cérebro parou de funcionar, e eu preciso dele de volta. Como eu tinha passado recentemente por um divórcio, achei que estava com depressão e sugeri que talvez essa fosse a fonte do problema. Ele perguntou se eu estava bebendo muita água, se tinha perdido peso, e se tinha notado alguma outra alteração. Sim, eu tinha. Eu estava tendo câimbras quando corria. E de fato eu estava bebendo mais água e tinha perdido um pouco de peso. Mas nada que tivesse chamado minha atenção. O diagnóstico veio no mesmo dia, com um exame de sangue.

Foi aqui que eu descobri que meu cérebro funciona a base de açúcar. Como meu corpo não estava conseguindo absorver o açúcar, tinha parado de funcionar. A mesma coisa com meu corpo. Apesar de eu comer a mesma quantidade de comida, meu corpo não estava absorvendo o açucar, o que explicava a perda de peso. E as câimbras vinham do fato de que meus músculos também estavam sem energia.

Porque eu não notei os outros sintomas e só me toquei quando meu cérebro parou de funcionar? Acho que a principal razão é que eu presto mais atenção no meu cérebro do que no resto do meu corpo (eu certamente uso mais ele). Além disso, a perda de peso e a quantidade de água que eu estava bebendo não eram grandes o suficiente para levantar suspeitas. Sempre achei que eu iria beber uma quantidade absurda de água quando estivesse com a doença. Minha médica ainda perguntou se eu não estava fazendo muito xixi. Falei que estava, mas pensei que era mais uma coisa de família. Como a mulherada da minha família sempre corre para o banheiro na primeira oportunidade, achei que eu só estava chegando na idade de fazer parte de troupe....

As pessoas me perguntam porque eu desenvolvi a doença. Acho que não dá para ignorar o fato de que eu tenho predisposição genética. Ou seja, outra pessoa, com uma vida idêntica à minha, mas sem meus genes, provavelmente não teria ficado diabética. Mas uma série de fatores contribuiram para que a doença se manifestasse mais cedo no meu caso. O primeiro é estresse. Minha endocrinologista me explicou que nosso corpo não evoluiu muito nessa área, e nossos hormônios ainda respondem a estímulos estressantes da mesma forma como respondiam os hormônios dos homens das cavernas. Portanto, quando eu tenho um prazo para mandar um paper para uma conferência, meu corpo interpreta aquilo como "tem um urso te ameaçando e você precisa correr para salvar sua vida". Resultado? Meu corpo joga um montão de açucar no meu sangue. E eu não uso o açúcar porque não estou correndo do urso. Ao contrário, estou sentada na frente de um computador usando, basicamente, meus dedos e meu cérebro. E por mais que eu pense, elocubre e imagine coisas nesse processo, meu cérebro não consegue consumir toda aquela quantidade de açucar (papers são assustadores às vezes, mas nada que se compare a um urso...). Quando esse processo se repete muitas vezes, o corpo acaba ficando resistente ao açucar e deixa de absorver ele. E, acreditem, foram muitos papers e prazos nos últimos anos...

E o estresse não veio só do trabalho. Recentemente saiu uma pesquisa questionando essa idéai de que casar faz bem pra saúde. Vários estudos mostram que pessoas casadas vivem mais, têm menos doenças, etc. Essa pesquisa mostrou, entrentanto, que pessoas divorciadas têm mais problemas de saúde que pessoas solteiras. Ou seja, não é qualquer casamento que faz bem, meu bem.

Mas o estresse sozinho não fez todo o serviço. Descobri que eu tenho um outro problema, chamado Síndrome do Ovário Policístico (PCOS) que deixa todos meus hormônios absolutamente fora de controle. Essa síndrome aumenta o risco de diabetes. Como a danada encaracolou meu cabelo no ano passado, eu não duvido nada que ela tenha também dado sua contribuição para a doença.

Por fim, maus hábitos alimentares. Eu confesso: eu comia muito doce, tinha refeições fora do horário, e tinha uma dieta com muito pouca coisa para me orgulhar. Tem uma hora que seu corpo diz:

- Chega. Não aguento mais fazer todo o serviço aqui. Você vai ter que fazer uma parte do serviço agora.

Foi quase como se eu fosse casada com alguém e passasse o dia inteiro na frente da TV tomando cerveja. Um dia a pessoa entrou em greve e deixou a casa ficar em um estado de completa e total anarquia, além de me deixar sem comida. Só me restou levantar, começar a arrumar a casa, fazer as compras e cozinhar. E foi isso que eu fiz.

domingo, 18 de abril de 2010

Não estou sozinha no mundo, definitivamente!

Nos últimos dias, tive todas as confirmações possíveis de que não estou sozinha no mundo.

Primeiro, descobri que Tutty Vasques também acha que a jornalista estava de TPM.


Segundo, eu terminei de ler o livro de um escritor japonês que, assim como eu, corre nas horas vagas. O livro provalvemente seria chatíssimo pra quem não corre ou pra quem não é fã do escritor, o Murakami. Mas pra mim foi uma experiência única. Descobri um cara tão pessimista, idiossincrático e
obsecado com trabalho quanto eu. Selecionei vários trechos pra colocar aqui, mas ainda não tive tempo de traduzir. Aguardem!

Terceiro, descobri que tem um urso polar tão preocupado com privacidade quanto eu. Incomodado com os fotógrafos, ele avançou, espantou todo mundo e ainda levou o tripé da câmera como troféu. Eu teria feito exatamente a mesma coisa se viessem me importunar no meu habitat natural!




Quarto, descobri duas comidas que tornaram minha semana muito mais agradável: polenguinho canadense e pão para diabéticos. Para quem achou que Polenguinho era um nome ridículo, é melhor você rever seus conceitos. A versão canadense é feita por uma empresa que chama "A Vaca que Ri" e, ao invés de vir em quadrados, vem em triângulos. Mas é tão gostoso quanto o nosso polenguinho.



Já o pão para diabéticos foi mais uma aventura. O pão é feito com "hemp" que é a uma palavra que eu pensei que era usada pra se referir a maconha. Ou seja, como eu não posso comer farinha de trigo, eles fizeram pão com maconha só pra mim...







Todavia, o pão não deu barato. Depois me explicaram que "hemp" é a fibra do caule da planta (chamado cânhamo) e o que dá barato é a flor. Portanto, nada de ficar alegrinha com o pão. Mas eu medi o meu nível de açucar e estava de fato tudo bem! Isso significa que eu pude me dar ao luxo de comer uma torrada e um sanduiche de queijo grelhado, depois de um ano sem essas coisas. Tudo isso porque tem um bando de maconheiros pensando em como usar todos os caules que eles não conseguem fumar e decidiram explorar esse mercado dos diabéticos pra sustentar o vício deles. Uma parceria e tanto!

Por fim, saiu uma matéria no jornal sobre pessoas que tiram fotos dos pratos antes de comê-los, como eu.


Segue, portanto, minhas últimas fotos de pratos deliciosos que andei comendo por ai.